O Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) apresentou ontem o seu relatório relativo à violência doméstica em Portugal no ano passado, contabilizando sessenta e três tentativas de homicídio e 24 homicídios efectivos, imputáveis a 21 agressores. O número de assassinatos desceu 35% em relação ao ano anterior. Segundo Maria José Magalhães, dirigente da UMAR, a descida do número de mortes deve-se a "uma maior consciência social em relação a esta matéria, mais censura. Os vizinhos reagem mais, há uma diferença de resposta a nível das autoridades." A activista refere que "nas notícias os homicídios apareciam com a referência de que a vizinhança ouvia a mulher a ser espancada até altas horas e não conseguia dormir mas não reagia. Desde 2006 estas situações são menos frequentes. As pessoas já começam a chamar a polícia. E a polícia começa a ter com cada vez mais frequência, embora não a nível do País todo, uma atitude mais adequada a estes casos".
Em todo o caso, o número total de mortes devidas a violência doméstica ocorridas no ano deverá estar sub-avaliado, uma vez que "Há sempre casos que não são objecto de notícia e nós só contabilizamos o que chega aos media", como explica a dirigente da UMAR à imprensa.
Segundo o relatório do Observatório das Mulheres Assassinadas da UMAR , os perfis de vítimas e agressores, aproximam-se na idade, tendo geralmente mais de 36 anos e, em mais de 70% dos casos, uma relação efectiva (casados, unidos de facto ou namorados). Lisboa é distrito com mais homicídios deste tipo reportados na imprensa (6), seguido de Setúbal (5).
24 homicídios por violência doméstica em Portugal no ano passado
20 de fevereiro 2008 - 12:41
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