Rui Maia

Rui Maia

Engenheiro informático

As próximas eleições vão também tratar de recolocar, para cima ou para baixo, a esperança de uma parte importante da esquerda sobre as suas próprias capacidades e possibilidades.

Hoje a política parece jogar-se bastante na pergunta mil vezes repetida: Podemos ou não Podemos? Mas já agora seria também interessante perguntar? Pudemos ou não pudemos? Pudemos sim.

Há poucos dias o ministro Pedro Mota Soares (PMS) explicava no habitual tom de homilia que a colocação de 700 trabalhadores da Segurança Social na requalificação profissional, não era um despedimento, era uma oportunidade.

Hoje o medo é a condição pacífica e permanente de aceitação de todas as brutalidades e injustiças no local de trabalho e nas relações sociais com as entidades públicas e privadas.

O grupo municipal de Lisboa do Bloco de Esquerda apresentou uma recomendação para que a câmara municipal deixasse de contratar precários a recibos verdes (a quem não pagou os salários a tempo e horas). O PS de António Costa acordou à direita e votou contra.

Com o SNS e a solidariedade que sobram. Um retrato do país.

Tempos estranhos estes em que o inaceitável se apodera da normalidade dos dias. A cada momento a realidade parece dividir-nos e afastar-nos entre os que achamos que o sofrimento ou a perda não é uma consequência aceitável como normal numa sociedade, e os que simplesmente não acham, não agem, ou preferem não tomar posição na esperança que não caia sobre si qualquer penalização mais grave.

O laborioso Nuno Crato avisou recentemente que vai continuar a contribuir para o fecho do país com o desmantelamento da rede de estabelecimentos de ensino.

É dia de perceber o que precisamos de fazer para que a política esteja diariamente nas ruas e nos nossos locais de trabalho, através das várias formas de organização e intervenção.

Cavaco não tem um regime autoritário para gerir, mas torna a democracia num regime autoritário quanto possível e esvazia-a de liberdade e de princípios.