No dia seguinte identificam-se os vencedores, apontam-se os responsáveis pelas derrotas. Ou pelo menos, tenta-se arranjar uma justificação, de preferência confortável para quem a atira, para que o desequilíbrio entre os partidos da austeridade e os que se opõem a ela seja tão grande.
Afinal, 2% ou 3% a mais ou a menos são assim tão relevantes quando pensamos num país (ou numa Europa) onde 50% a 70% da população não quer decidir por quem se faz representar? Quando os partidos da austeridade têm 60% a 70% dos votos nas urnas?
Acho que não. O dia seguinte é aquele em que é preciso continuar a organizar, trabalhar e sistematizar para implantar a esquerda nas organizações de trabalhadores, fazê-las amplas e democráticas. Criar formas de associações estudantis, de movimentos sociais, de coletividades de bairro ou comissões de pais. É tempo de criar ou inventar outras formas de intervenção porque não podemos nunca ficar satisfeitos em intervir hoje como fizemos ontem.
No dia seguinte, é dia de relembrar que se as desvantagens de toda a esquerda perante o resto do país são tão grandes, então é bom que não esperemos por enormes e inesperadas clivagens sociais em Portugal ou na Europa para que a representatividade venha ter com as organizações. É dia de perceber afinal, o que precisamos de fazer para que a política esteja diariamente nas ruas e nos nossos locais de trabalho através das várias formas de organização e intervenção.
O dia seguinte tem de ser esse compromisso de permanência que pode alimentar o crescimento dos valores da esquerda, a ideia de que um outro mundo é possível que não o da pobreza, desigualdade e da corrupção política.
No dia seguinte continuamos cá para isto.