António Costa: a arte de desvalorizar a urgência para acordar no acessório

porRui Maia

20 de setembro 2014 - 11:59
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O grupo municipal de Lisboa do Bloco de Esquerda apresentou uma recomendação para que a câmara municipal deixasse de contratar precários a recibos verdes (a quem não pagou os salários a tempo e horas). O PS de António Costa acordou à direita e votou contra.

Dizia a Ana Drago ao Jornal 2 de dia 18 de Setembro, 5a feira, que mais do que uma urgência é uma responsabilidade que tem, aquela de chamar todos e todas as que estão disponíveis para salvar o essencial do Estado Social. Apagando os slogans e fazendo dos atos um sumário executivo, é exatamente ao contrário: desvalorizar o que é urgente para que se possa chamar todos os irresponsáveis que têm transformado Portugal num buraco sem fundo para onde cai a dignidade e os direitos de milhões de pessoas. Para que se possa chamar todos os que têm coparticipado da destruição do Estado Social. É um projeto bem mais triste se for anunciado desta forma.

Também o nosso conhecido Miguel Vale de Almeida escrevia há poucos dias no Público que António Costa era o único que conseguia fazer pontes à esquerda, com os movimentos sociais e a sociedade civil. Estranha afirmação: à esquerda, só se for com a esquerda do PS, porque o Bloco de Esquerda e o PCP consideram que é preciso combater a austeridade e isso é quanto baste para que António Costa não os considere parceiros de estratégia; e se a definição de sociedade civil é ambígua, já sobre movimentos sociais é de todas a mais estranha: porque ou Miguel Vale de Almeida foi, nos últimos anos, a manifestações diferentes das minhas, ou então não parece ter alguma vez havido no movimento social um balanço de apoio ao António Costa e ao PS, antes pelo contrário. Também não parece ser facilmente reconhecida como minimamente relevante a participação de simpatizantes ou militantes do PS na intervenção e mobilização inorgânica dos últimos anos, isto claro, salvo honrosas exceções.

Do outro lado da política, em Lisboa, o Grupo Municipal do Bloco de Esquerda apresentou uma recomendação para que a Câmara Municipal de Lisboa deixasse de contratar precários a recibos verdes (a quem não pagou os salários a tempo e horas) e deixasse de usar os pobres (é mesmo este o termo) para trabalhos forçados sob a ameaça de perda de Subsídio de Desemprego através das chantagens designadas por Contratos Emprego Inserção e Contratos Emprego Inserção +.

Ao que parece, o PS de António Costa em Lisboa, o tal da grande aliança à esquerda, também com a sociedade civil e os movimentos sociais, teve um problema na direção e acordou à direita.

Rejeitada com a seguinte votação:

Contra – PS/ PSD/ CDS-PP

Favor - PCP/ BE/ PEV/ MPT/ PAN/ 6 IND – Abstenção - PNPN

Uma grande aliança de esquerda se adivinha em Portugal com António Costa.

Rui Maia
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Rui Maia

Engenheiro informático
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