Poucos carros nas autoestradas. Muitos deles são novos, ou quase. Quem vai a 100km/h ou 110km/h é ultrapassado por boas máquinas a 140km/h ou 150km/h. Às vezes mais... Nas estradas nacionais, passando pelas praias da moda... o sudoeste alentejano de Aljezur, Carrapateira, ou a legolândia dos pobrezinhos a fingir, a Comporta, os carros são Volvos, Audis, VW uns mais novos, outros menos.
Talvez por azar (ou por uns segundos de alguma sorte valiosa), um Volvo acaba de capotar cruzando as duas faixas de rodagem ao sair de uma curva demasiado rápida perto de Grândola. Um ocupante de 36 anos, em mau estado, com material desportivo, iPhone, portátil,... bom ar. Não era dali. Safou-se por pouco de ficar sem boa parte da cabeça... teme pela vida.
Chegam os bombeiros na ambulância, os bombeiros no carro de desencarceramento (que felizmente não foi preciso) e também a gnr. Todos chegam com máquinas não tão novas. Com as ambulâncias e o material que vai existindo, com o resta depois dos bombardeamentos da austeridade.
Os ocupantes destes carros que salvam vidas parecem também ter tido menos sorte na vida, mas dedicam a sua a ajudar os outros. A ajudar todos. Muitos destes, fazem-no à borla. À borla, como gostam os ricos, os que têm Volvos e Mercedes novos... eles lá estavam, a ajudar, a trabalhar, sem pedir nada em troca. Com as ambulâncias que existem, com o material que resta, com o SNS que se vai conseguindo salvar, mas com a solidariedade de todos os dias.
Com o SNS e a solidariedade que sobram. Um retrato do país.