Luís Fazenda

Luís Fazenda

Militante do Bloco de Esquerda

A redução dos debates quinzenais, que garantem muita da centralidade parlamentar do debate político nacional, é um regresso ao pensamento antiparlamentar de Cavaco Silva e um retrocesso à instituição do debate mensal com António Guterres.

É lamentável que o PS, pela segunda vez, não patrocine nenhuma candidatura a Belém, faltando descaradamente ao jogo democrático apenas para evitar algum revés indireto do primeiro-ministro num pleito que nem sequer condiciona a ação governativa.

O Estado de Emergência não introduziu nenhuma pausa política à ação dos partidos nem decretou amnistia na luta de classes.

A tentativa de Corbyn de aderir ao Brexit sem alienar os "remainers" reflete, nessa moderação ambígua, a perceção de que uma maioria social estava farta da política neoliberal da Alemanha e da França.

O PSOE, e essa é a questão de fundo, se continua submisso à monarquia e hostil aos nacionalismos subordinados, não tem espaço para liderar qualquer bloco progressivo para uma transição histórica no Reino de Filipe VI e, fatalmente, comprime a UP.

António Costa apoia os entendimentos de Merkel e Macron, conservadores e liberais, no espaço da UE. Pelos mesmos dias, o primeiro-ministro aproveitou o debate do Estado da Nação para mostrar o amor assolapado que dedica à geringonça caseira.

Na véspera das eleições legislativas espanholas, publicamos aqui o artigo de Luís Fazenda saído na revista Esquerda, sobre o impacto da questão nacional na vida política do Estado vizinho.

Não foi a esquerda "fraturante" quem abriu as portas ao avanço da extrema-direita.

Agora que a vasta corte do presidente vitalício Xi Jinping abandonou Portugal, será porventura útil aclarar algumas referências chave sobre a potência oriental.

O que une os Salvini, os Bolsonaro, e os Trump, não são só as embaixadas de Steve Bannon, mas o estado preparatório de repressões alargadas e de militarização do conflito social.