O estado catatónico da direita orgânica deixa espaço para que a direita inorgânica se solte e para que isso alimente estratégias, por enquanto subterrâneas, de ganho de hegemonia da extrema direita nesse campo.
Por toda a parte, a direita vive hoje para a polarização máxima. Não é por destrambelho nem por má vontade. É porque essa é a sua resposta à crise da democracia liberal a que o mundo assiste.
A indiferença com que a direita portuguesa encara o fenómeno Bolsonaro no Brasil só acrescenta credibilidade à necessidade de olhar para atores como Ventura com a atenção política devida.
A desumanização do tempo é uma marca do produtivismo em que vivemos. Sem nos darmos conta, estamos a entrar na cultura em que sonambulismo e exaustão são virtudes e em que desligar é um defeito.