Catarina Martins

Catarina Martins

Eurodeputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Atriz

Explicava ontem em entrevista Passos Coelho que o défice tarifário existe porque se calcula que as empresas poderão estar a perder por o mercado não ser liberalizado. Ficção. Não perdem nada. Não existe défice tarifário; existem, isso sim, rendas excessivas.

Nos últimos 10 anos, o investimento público na Cultura caiu 75% e o Estado central não gasta agora mais do que uns ridículos 0,1% do PIB na Cultura. Simultaneamente, as autarquias diminuíram os apoios, as empresas cortaram até nos apoios em géneros e o público tem cada vez menos capacidade de pagar bilhetes. 

A Comissão Europeia propôs um aumento de 37% dos programas para a Cultura do próximo quadro comunitário. Portugal devia estar a preparar-se para o aproveitamento eficaz desses fundos. Mas se no atual quadro já ninguém se lembra da Cultura...

Estão na idade mais produtiva. Trabalharam sempre muito. Mas agora não há maneira de arranjarem emprego. São a grande fatia do desemprego em Portugal. Mas o Governo desconhece a sua existência.

O Bloco de Esquerda abriu o primeiro plenário da semana parlamentar que passou com uma declaração política sobre os aumentos nos transportes públicos. Mas a semana parlamentar foi também marcada por outros três temas: cultura, segurança social e saúde.

O Governo prepara-se agora para o maior aumento dos preços de transportes de sempre. E já avisou, pode bem não ficar por aqui. Tenha o Governo uma certeza: a contestação popular também não vai ficar por aqui.

Numa obscura revista, lá vem, com a clareza avassaladora do empobrecer de Passos, o Secretário de Estado dos Transportes a explicar que somos um balão de ensaio para a Europa.

A Lei da Cópia Privada é muito mais vasta do que a defesa dos direitos de autor ou dos direitos dos consumidores. É, claramente, muito mais vasta do que os interesses das entidades de gestão coletiva de Direitos de Autor.

É um pouco difícil compreender como pode ser Secretário de Estado da Cultura quem não acredita em políticas culturais.

Toda e qualquer autonomia da cultura é um alvo a abater.