Catarina Martins

Catarina Martins

Eurodeputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Atriz

As moções de censura ao Governo do Bloco de Esquerda e do PCP marcaram esta semana parlamentar. Com este debate, entraram na Assembleia da República os argumentos, a determinação e a ampla convergência na censura ao Governo e à Troika, que todo o país tem demonstrado na rua.

O Governo faz-se de ignorante perante as declarações do consultor Borges, mas enquanto isso vai fechando a porta à espera que alguém apague a luz na RTP.

É a certeza de que o caminho do Governo é um buraco que juntou um milhão de pessoas na rua no dia 15 de Setembro. E é a exigência de uma alternativa real que as faz não desistir.

Contratos das PPP, rendas aos produtores de eletricidade, concessão do serviço público de televisão: com este Governo, as gorduras são para continuar.

A comissão parlamentar discutiu e votou na especialidade a lei do cinema proposta pelo governo. É uma lei que não cumpre as promessas nem as expectativas criadas e confirmadas pelo governo.

As companhias de teatro de Coimbra, do Algarve, de Évora, de Braga, da Covilhã e de Montemuro declararam que estão à beira da extinção. Se nada for feito a Escola da Noite de Coimbra, a Acta do Algarve, o Cendrev de Évora, a Companhia de Teatro de Braga, o Teatro das Beiras da Covilhã e o Teatro de Montemuro deixarão de existir.

Miguel Relvas, o Ministro com a tutela da RTP e cujos negócios privados se cruzam com os interesses de quem quer comprar a televisão pública, mantém-se.

A força das centenas de pessoas que se uniram nas escadarias na Assembleia da República, a olhar para um lençol cheio das imagens que são as suas, é a força de quem não desiste, não apenas da cultura, mas do país.

O Pingo Doce vendeu abaixo do custo no 1º de Maio, para esmagar a concorrência e prejudicar os consumidores no futuro.

Se alguém tinha dúvidas, que as dissipe: o "ímpeto reformista"do Governo é sempre o mesmo; descer o valor do trabalho e entregar à finança o que resta do Estado Social. Semana parlamentar por Catarina Martins.