Catarina Martins

Catarina Martins

Eurodeputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Atriz

Vítor Gaspar propõe mais de uma década de austeridade. O ministro que fala vagarosamente e erra depressa – três previsões em três meses e sempre a descer – propõe a ditadura do empobrecimento.

Os milhares que no sábado, 2 de Março, vão encher as ruas do país, sabem que este Governo é incapaz de tirar o país da crise. E fazem por Portugal o que este governo é incapaz de fazer: mostram à troika, à Europa e ao mundo, que há um povo que não aceita ser espezinhado e que exige outro rumo.

“A redução do défice, em si mesma, não é um plano económico”. Quem o disse foi Barack Obama que fala em aumentar o salário mínimo em 24% - isso mesmo, 24% -, porque “quem trabalha a tempo inteiro não pode viver na pobreza”.

A semana parlamentar fica marcada pelo debate sobre a responsabilidade do exercício de cargos políticos, um debate que aconteceu em torno de dois assuntos diferentes: a nomeação de Franquelim Alves e os projetos de lei sobre incompatibilidades e impedimentos de titulares de cargos políticos.

Se persistir o rumo da troika, não há regresso aos mercados que garanta emprego e crescimento. O governo está a fazer a festa sobre o nosso enterro.

Ficámos hoje a saber que a direção de informação do serviço público de rádio e televisão deixou de ser independente e que existe um clima persecutório contra quem não favorece a tutela política.

Nem este debate está encerrado, nem este é o Orçamento do Estado para 2013. Este seria o momento para o PR atuar e vetar este OE, porque este orçamento é incompetente e inconstitucional. Mas não ficaremos à espera que o faça. A oposição pode pedir a fiscalização da constitucionalidade do Orçamento do Estado. Apelamos a essa convergência.

Acabar com a greve e proteger a economia é simples: basta o governo recuar na sua proposta aberrante de regresso às praças de jorna.

O que este governo fez na Cultura foi antecipar a "refundação" do Estado de forma encapotada. No dia de Greve, estaremos com todos aqueles que lutam por um futuro decente, pela greve que luta pela democracia.

No momento de maior fragilidade da comunicação social em Portugal, o Governo decide diminuir em 30% a subvenção pública à Lusa. O Estado desinvestir nos serviços públicos de comunicação social - Lusa e RTP será sempre um erro. Neste momento é um desastre.