Catarina Martins

Catarina Martins

Eurodeputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Atriz

Hoje, dia mundial da música, o Conservatório de Música de Lisboa mostrou o melhor de si frente ao Ministério da Educação. À música junta-se o grito: Queremos aulas. Quem diria que em Portugal, em 2014, alunos e alunas teriam de vir para a rua gritar: Queremos aulas.

Será que um banco que hoje vale pouco mais de 500 milhões de euros, vai ser vendido por 5 mil milhões e assim pagar o que deve ao Estado? Será que não descobriremos novas faturas para os contribuintes no “banco mau”? Não irá esta história repetir-se mais vezes?

O Governo e as autarquias chamam-lhes Contratos Emprego Inserção. Três palavras para três mentiras. Não são contratos porque não há qualquer vínculo. Não são emprego porque não pressupõem salário. Não são inserção porque nunca são inseridos nos quadros.

Hoje sabemos que para este governo há algo que ainda vale menos que as pensões: a sua própria palavra.

A saída da crise ou o fim da chantagem da finança não estão no horizonte do Governo. Apenas mais do mesmo, em mais pobre.

Ao contrário do que repete a direita, a pergunta não é se nos podemos dar ao luxo de ter o estado social, que é a condição de igualdade que fez a nossa democracia, mas se pelo contrário nos podemos dar ao luxo de não ter Estado Social.

No dia 29 de Setembro temos as primeiras eleições autárquicas da era da troika. É a oportunidade de avaliar a política de empobrecimento e desemprego que varre o país e atinge cada concelho e cada freguesia. É o dia em que temos todas e todos o mesmo poder: cada voto vale o mesmo.

Cavaco Silva faz a democracia refém, substitui-se ao governo e anuncia ele próprio uma moção de confiança. A salvação do país é a última coisa que interessa a Cavaco Silva. O seu registo é outro. A salvação da direita. Nem que seja à custa da destruição do país.

Depois de termos um governo tutelado por Belém, Cavaco Silva quer condicionar as próximas eleições e ciclo eleitoral.

Passos Coelho escreveu uma carta à troika sobre os cortes no Estado Social. Aí avisa que está a estudar cortes adicionais desde o verão de 2012. Esta informação é uma raridade na comunicação governamental: é verdadeira.