Ser subalterno à finança pode dar belas fotografias em Bruxelas ou Estrasburgo, mas só afunda a Europa e Portugal. Este é o tempo da solidariedade entre os povos e de ter a coragem de defender o país.
O que vos trazemos aqui é um desafio e um compromisso. O desafio de responder à crise social, de olhar de frente a tragédia de quem está sem emprego e sem apoio, de quem não consegue pagar a luz e a casa. Responder e não ignorar o sofrimento.
Privatiza-se porque é seguro e dá menos dores de cabeça. As empresas privadas vão continuar a fazer serviço público porque prometeram. E nós acreditamos. Se não fosse um assalto, dir-se-ia que é um conto de crianças.
Passos Coelho identifica como obstáculos ao investimento, - que tem vindo sempre a descer e já recuou mais de duas décadas -, a excessiva fiscalidade e os elevados custos do trabalho para as empresas. Mas será assim?
Desde 25 de janeiro, data em que, na Grécia, foi eleito o primeiro governo anti-austeridade da zona euro, a política voltou aonde nunca devia ter saído: decisão e democracia.
Aproveitar o virar de página, começado em Atenas, deve ser o compromisso mínimo de todas as forças progressistas que não se revêm, ou não se podem rever, na cegueira da austeridade.
A ética social na austeridade e a proteção das famílias, de que tanto se vangloria a maioria de direita, é um vazio e indigno instrumento de propaganda.
As promessas do Governo de um novo ciclo pós-troika são desmentidas pela proposta de Orçamento do Estado para 2015. Mantêm-se cortes em salários e pensões. O investimento continua no zero e são postas em causa as mais básicas funções do Estado.