Ana Carolina Gomes

Ana Carolina Gomes

Antropóloga. Ativista. Dirigente do Bloco de Esquerda

Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta. Não são estes os nomes que importam. Vou apresentar-vos outros, os que têm vivido em zonas sacudidas por chuva e vento, os que foram abandonados por um governo negligente e, ainda assim, emprestam força à comunidade.

Se as rajadas de vento foram, sim, pelo menos com o nome Kristin, passageiras, as consequências estão aí e prolongam-se e revelam a fragilidade infraestrutural de um país que não está preparado para lidar com a inevitabilidade de uma cada vez maior frequência de fenómenos climáticos extremos.

As mulheres que escrevem poemas no verso das listas das compras. Essas não estão na lista de espera para o panteão, nas páginas dos manuais escolares, nos cartazes de festivais. Estão na vida, na resistência, de uma voz menor que teima em se inscrever e ser escrita por quem resiste à força maior e lê mulheres.

Pela ideia de casa, pela sua materialidade, pela liberdade de atravessar o umbral, pela liberdade de construir rua: dia 30 é dia de afirmar que casa é para viver e que para a vida é fundamental a casa.

Verão é tempo de bailes, de festas e festivais. Mas como se baila num país em que a cultura é o parente pobre, o refugo desrespeitado e instrumentalizado, ao invés do que deveria ser: matéria nutrida e distribuída, argamassa coletiva e comunitária, espaço de liberdade e humanidade?

Hoje as marchas são cada vez mais e cada vez mais participadas, com grande afluência jovem, sendo um espaço privilegiado de ativismo e politização. Mas a natureza historicamente e intrinsecamente política destas manifestações não está alheia a ameaças.

“Ao ódio respondemos com fraternidade, camaradagem, companheirismo e amor. Viseu pode ser uma melhor cidade para viver COM a Marcha, com movimento, com cor, com vozes LGBTQIA+ cheias de Orgulho.”

Touradas são violentas e uma experiência feroz para quem a elas assiste, particularmente para crianças e jovens, que quando expostas àquilo que é uma verdadeira antítese da relação ideal com animais e natureza, sofrem um impacto emocional negativo.

Quando uma proposta da Administração Central do Sistema de Saúde fala em incluir como critérios de avaliação de equipas de saúde familiar as IVG realizadas pelas utentes e a existência de DST nas mulheres - estamos perante uma forma de biopoder. Um biopoder patriarcal.

Cada dia adiado é um dia de cumplicidade com a intensificação das assimetrias regionais e com a litoralização cada vez mais evidente do nosso país.