José Soeiro

José Soeiro

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo.

Moreira está a exercer uma forma de necropolítica, de destruição e aniquilação de práticas, formas culturais e modos de existência coletiva que são, afinal, o que faz da cidade um organismo vivo. Saiba o Porto mostrar-lhe de que massa é feito.

O Saara Ocidental é a última colónia africana, ocupada por Marrocos desde 1975. Guterres, que lutou por Timor, não se esqueceu da importância da persistência e da coerência dos valores nestas matérias. O governo português, pelos vistos, abdicou deles em nome de um campeonato.

Criticar as escolhas políticas de boicotar o arraial do orgulho e recusar hastear a bandeira arco-íris não é "portofobia", pela simples razão de que, felizmente, Moreira não é o Porto.

Celebremos e defendamos a sesta! Como domicílio, refúgio interior, espaço de desconexão, de exílio, de retirada momentânea. Viva a sesta como trincheira possível contra a colonização produtivista do tempo.

Sem portaria, a maioria das empresas privadas fazem um compasso de espera e têm uma desculpa para não cumprir a lei. No setor público, onde existem 21 mil funcionários em teletrabalho, não há um único que esteja a receber a compensação que a lei estabelece.

Em vez de aproveitar a interpelação e aprofundar o debate sobre o tráfico de pessoas escravizadas e as continuidades da colonialidade, a Santa Casa mandou fechar a sala onde estava a intervenção artística e mutilou a obra, removendo as partes de que não gostava.

Há palavras que transportam visões alternativas da vida e, se nos transportam com elas, podem ser metáforas da vida verdadeira.

Carregavam no botão de emergência, as mais das vezes, apenas para ouvir alguém do outro lado. A sua emergência era, acima de tudo, falar - e ouvir outro ser humano.

É um processo de substituição de classe, expulsando quem é mais pobre dos espaços antes comuns. E é uma ideia de cidade, a de Rui Moreira, com o centro transformado numa imensa esplanada, lugar exclusivo para quem tenha no bolso os euros suficientes para desfrutar de um drink de fim de tarde.

A “presunção de laboralidade” consagra um bom princípio legal: a inclusão dos estafetas nas regras gerais do direito de trabalho. A questão é que a lei não foi ainda aplicada e as plataformas fizeram agora adaptações para conseguirem manter o regime de escravatura que inventaram.