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Zapatistas avançam para mais zonas autónomas, Presidente do México saúda

O EZLN anunciou a criação de mais onze áreas autónomas em Chiapas. O Presidente do México surpreendeu ao dizer que iriam beneficiar o povo. Isto apesar dos zapatistas continuarem muito críticos da sua atuação.
Foto de uma zona autónoma do EZLN.
Foto de uma zona autónoma do EZLN. Foto de Viv Lynch. Flickr.

Com a criação de mais onze áreas, passam a ser 43 as áreas autónomas do Exército Zapatista de Libertação Nacional no Estado de Chiapas. Criado através de um levamento a 1 de janeiro de 1994, simbolicamente o dia em que entrava em vigor o Nafta, tratado de comércio entre os países do norte do continente americano, o movimento conseguiu sobreviver duas décadas e meia mantendo o controlo territorial de várias zonas.

O subcomandante Moisés, um indígena que substituiu Marcos como principal porta-voz do movimento, diz que se trata de “um crescimento exponencial que permite quebrar o bloqueio” a que estavam sujeitos.

Por sua vez, o Presidente mexicano, López Obrador, declarou que este crescimento era “bem-vindo”. “Avancem, porque isso significa trabalhar em benefício das aldeias e do povo. A única coisa que não queremos é violência.”

Isto está longe de significar que zapatistas e governo estejam de acordo. Ainda a semana passada, o subcomandante Galeano, nome adotado por Marcos em memória de um professor zapatista assassinado, quando deixou de ser porta-voz principal do grupo, anunciou que o movimento iria fazer um festival de música de forma a protestar contra um conjunto de projetos de construção de infraestruturas pelo governo, no qual se inclui a construção de uma refinaria de petróleo, e contra o endurecimento da política de fronteiras do México a pedido de Trump.

Os zapatistas classificam os planos do governo como “megaprojetos neoliberais que fazem desaparecer aldeias inteiras, destroem a natureza, convertem o sangue dos povos originários em lucros dos grandes capitais”.

Já a um de janeiro, marcando o 25º aniversário do levantamento fundador do EZLN, o subcomandante Moisés tinha declarado a sua oposição a López Obrador, conhecido como AMLO, e ao seu governo: “vamos lutar. Vamos confrontá-los; não vamos deixar que venham para aqui com os seus projetos destrutivos.”

Acusam ainda AMLO continuar a perseguição ao movimento e o banho de sangue. Desde que o governo tomou posse, uma dezena de membros do Congresso Nacional Indígena e do Conselho de Governo Indígena.

Somos rebeldia e resistência

No comunicado do “Comité Clandestino Revolucionário Indígena” do movimento, a oposição a Obrador é reforçada. Dizem que “o novo governo não nos enganou” e explicam que os “povos originários” passaram “à ofensiva em defesa do território e da mãe terra”, depois de terem sido “perseguidos pelas forças do mau governo, caciques, empresas estrangeiras, criminosos e leis”.

Dizem também que “a dignidade, a coragem, a raiva, a rebeldia, não se podem deter, nem encerrar” e que aprenderam “a olhar, a escutar e a falar com o outro sem o enganar, sem o condenar, sem etiquetas”.

Os zapatistas aproveitam ainda o seu comunicado para lançar uma série de iniciativas, para além de festivais, encontros, festas e intercâmbios, propõem a constituição de um Fórum em defesa do território e da mãe terra, a convocatória de um encontro de familiares de assassinados, desaparecidos e presos e de um novo encontro de mulheres e a criação de uma Rede Internacional de Resistência e Rebeldia que “renuncie explicitamente a hegemonizar e homogeneizar” entre outras.

E terminam o comunicado no seu estilo habitual: “aqui estamos, somos zapatistas. Para que nos olhassem, cobrimos o rosto; para que nos nomeassem, negámos o nosso nome; apostamos o presente para ter futuro e, para viver, morremos. Somos zapatistas, maioritariamente indígenas de raízes maias e não nos vendemos, não nos rendemos nem claudicamos. Somos rebeldia e resistência. Somos um de tantos maços que romperão os muros, um de tantos ventos que varrerão a terra e uma de tantas sementes de onde nascerão outros mundos.”

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