Convocada pelos movimentos "Geração à Rasca" e "Que se lixe a Troika", uma caravana com algumas dezenas de automóveis percorreu, neste sábado, as ruas de Viseu exibindo bandeiras da Grécia, numa manifestação de solidariedade com a luta do povo grego contra a austeridade, integrada na campanha internacional de solidariedade com a Grécia.
Seguiu-se uma sessão pública, num bar da Praça D. Duarte, que reuniu mais algumas dezenas de pessoas.
Segundo a organização do evento, convocado nas redes sociais, "as eleições gregas vieram agitar as águas paradas do pântano europeu. A vitória do SYRIZA, que se propõe romper com as políticas da Troika, desafia a ideia dominante de que não existe alternativa ao empobrecimento generalizado e à austeridade infinita".
"Os últimos dias revelaram a hostilidade de instituições e governos europeus relativamente à própria possibilidade de uma política que devolva um mínimo de esperança e dignidade a milhões de pessoas sem emprego e sem direitos, obrigadas a viver na rua ou às escuras, sujeitas à fome e privadas de cuidados médicos. Parece evidente que estão em jogo questões decisivas que ultrapassam o quadro nacional da Grécia.
Governo português indisponível
"O governo português já se mostrou indisponível para qualquer esforço conjunto para reduzir o peso da dívida à escala europeia e encontrar soluções que permitam responder à catástrofe social em que vivemos. Orgulha-se mesmo de ter aplicado com sucesso medidas que empobreceram muitos e enriqueceram poucos, enquanto a dívida pública aumentou, o défice derrapou e o desemprego atingiu dimensões inéditas. Quando garante que Portugal não é a Grécia, espera que aceitemos com resignação o atual estado de coisas, como se fosse possível ignorar que acaba de se recusar na Grécia o que nos querem fazer engolir em Portugal."
É tempo de enviar um sinal claro de que estamos todos no mesmo barco e não aceitamos a miséria que nos querem impor.
"Neste momento decisivo em que a resistência ganha novo alento, por toda a Europa se convocam manifestações em solidariedade com o povo grego e em repúdio pela arrogância e a hostilidade reveladas pelas instituições europeias. é tempo de enviar um sinal claro de que estamos todos no mesmo barco e não aceitamos a miséria que nos querem impor. Queremos a Europa das nações e dos cidadãos. Porque a nossa luta é internacional, aqui e agora, somos todos gregos".
Desmontando lendas
A sessão foi animada por Isabel Moura, António Gil e Carlos Vieira que leram poemas de Brecht e dos poetas gregos Eurípedes (480-405 a.C), Constantino Kaváfis (1863-1933) e Giánnis Ritsos (1909-1990).
Presente na sessão, a eurodeputada Marisa Matias foi instada a dar o seu testemunho sobre a luta dos gregos no Parlamento Europeu, sobre as condições de vida na Grécia, que ela conhece bem pelas muitas visitas que fez a convite do SYRIZA, e desmontou algumas das lendas que se contam acerca do povo grego, desmentidas pelas estatísticas da própria U.E. que, por exemplo, revelam que os gregos e os portugueses são os povos que mais horas trabalham, muito mais que os alemães, embora ganhem muito menos.