No dia 26 de junho, na Avenida da Índia, entre Algés e Belém, em Lisboa, um automobilista colidiu com uma ciclista que seguia à sua frente. Patrizia Paradiso, de 37 anos, grávida, morreu no acidente.
Perante mais este atropelamento, centenas de ciclistas realizaram uma vigília no local da colisão, “em memória dos utilizadores vulneráveis que perderam a vida fruto da sinistralidade rodoviária”.
Muita gente para homenagear as vítimas de atropelamento nas estradas. pic.twitter.com/5WEokQZJDl
— TT, movimento marxismo ciclismo cultural (@TTduty) July 3, 2021
Simbolicamente, foi colocada neste sítio uma bicicleta branca com uma coroa de flores.

Várias outras cidades juntaram-se a esta iniciativa. No Porto, cerca de uma centena de ciclistas concentrou-se na Avenida dos Aliados.
"Precisamos de continuar a manifestarmo-nos antes que morra mais alguém", afirmou Vera Diogo, da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta e da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta.
"Legislador: defenda os vulneráveis", "Pessoas Primeiro", "Ruas Seguras Já", "Abrande, Escute e Olhe e o símbolo de velocidade máxima 30 a hora" foram algumas das frases ostentadas durante o protesto.
Os organizadores da iniciativa lembram que “é comum o sentimento de insegurança na via pública devido ao excesso de velocidade praticado” e que “os utilizadores vulneráveis, pela sua condição, são quase sempre as vítimas da sinistralidade dentro da cidade”.
Os ciclistas exigem mais segurança nas estradas, exortando o governo e as autarquias a tomarem “medidas físicas de redução do perigo rodoviário, do volume de tráfego e das velocidades nas cidades para 30 km/h”. Reivindicam ainda que as autoridades “fiscalizem os excessos de velocidade tão constantes em Lisboa e noutras cidades, e que são de alguma forma socialmente aceites” e que repensem o perfil “auto-estrada” desta avenida e de outras com características idênticas nas nossas cidades.
“É preciso mudar o paradigma da mobilidade nas cidades”
Beatriz Gomes Dias participou na vigília de homenagem a Patrizia Paradiso em Lisboa.
“Esta trágica morte veio mais uma vez sublinhar a importância da mudarmos a mobilidade nas cidades, garantido a segurança dos ciclistas e respeito pelos direitos das pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte”, afirmou a candidata à Câmara de Lisboa em declarações ao Esquerda.net.

Beatriz Dias realçou que “não queremos nem mais uma morte”.
“É fundamental a implementação de um plano de segurança rodoviária que garanta uma forma segura de as pessoas usarem bicicleta. Nesse plano devem estar, entre outras, medidas para a acalmia do trânsito, a adaptação das infraestruturas, a expansão da rede ciclável e de bicicletas partilhadas a todas as zonas da cidade”, defendeu.

De acordo com Beatriz Dias, “a mudança de paradigma da mobilidade na cidade implica o aumento de transportes públicos, a criação de zonas da cidade sem carros, garantindo a segurança dos ciclistas e das ciclistas, a implementação de campanhas regulares de sensibilização para o respeito ao ciclista dirigidas a condutores transportes públicos, táxis, TVDE e automobilistas e a criação de um fórum de participação pública formal, regular e transparente sobre a segurança dos modos ativos de mobilidade”.
A morte trágica de uma ciclista na Av. Da Índia veio mais uma vez recordar nos a importância da mudarmos a mobilidade nas cidades.
Hoje, o @LisboaBloco esteve presente na vigília. pic.twitter.com/YNhADsUWY8
— Beatriz Gomes Dias (@BGomesDias) July 3, 2021