O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu nesta quinta-feira as relações diplomáticas com a vizinha Colômbia, depois de Bogotá reafirmar as acusações de que a Venezuela esconde no seu território 1.500 integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O presidente venezuelano ordenou um alerta na fronteira perante uma possível agressão.
"Faço o anúncio com uma lágrima no coração: a Venezuela rompe a partir deste momento todas as relações com o governo da Colômbia", declarou Chávez, para quem a decisão foi adoptada "por questão de dignidade" diante das acusações do governo colombiano que, nesta quinta-feira, solicitou na Organização de Estados Americanos (OEA) a formação de uma comissão internacional para verificar a presença de guerrilheiros em acampamentos na Venezuela.
Chávez afirmou que o seu governo "persegue e hostiliza" a guerrilha colombiana e assegurou que "se houvesse algum acampamento guerrilheiro colombiano (em território venezuelano) seria sem a sua autorização".
Além disso, culpou o presidente Álvaro Uribe pela crise nas relações e insinuou que é capaz de provocar um confronto armado entre os dois países antes do final de seu mandato, no começo de Agosto.
Disse ainda confiar em que o presidente eleito, Juan Manuel Santos "tome as rédeas do assunto, com racionalidade, porque há uma loucura desatada no Palácio Nariño", sede da presidência colombiana: "Uribe é capaz de mandar montar um acampamento simulado do lado venezuelano para atacá-lo e causar uma guerra (...)", advertiu Chávez.
Diplomatas colombianos têm 72 horas para deixar o país
Os diplomatas colombianos que exercem funções em Caracas deverão deixar o país nas próximas 72 horas, anunciou o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro.
O embaixador colombiano na OEA, Luis Hoyos, qualificou de "errada" a decisão da Venezuela, considerando que Caracas deveria era "romper relações com bandos criminosos".
Em Washington, o Departamento de Estado criticou a decisão de Chávez e afirmou que não era "a maneira adequada" de resolver as divergências.
Brasil sugere saída negociada
Em conversa por telefone com Chávez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, sugeriu uma saída negociada para a crise, informaram assessores do governo brasileiro ao diário Estado de S. Paulo.
Segundo o jornal brasileiro, Lula e sua equipa avaliam que o clima de tensão tem factores meramente mediáticos. Para o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, "temos uma boa percepção de que há disposição dos dois governos, num futuro próximo, talvez depois da posse do presidente Santos, de que isso venha a ser resolvido", afirmou. "Estou convencido de que haverá vontade das duas partes de resolver isso."