A Commonwealth é composta por 56 países, na sua esmagadora maioria ex-colónias do império britânico. Destes, 15, incluindo o Reino Unido, terão Carlos III como chefe de Estado. Mas, em metade dos países ainda associados à coroa britânica, temos vindo a assistir ao crescimento de movimentos republicanos e, em alguns destes, já foi anunciada a decisão de deixar de prestar vassalagem ao rei britânico.
JAMAICA
Em junho do ano passado, a Jamaica deu início a um processo de reforma da Constituição, datada de 1962, que conduzirá a uma transição gradual para uma república parlamentarista. No próximo ano realizar-se-á um referendo popular sobre a matéria.
“O objetivo é, em última análise, produzir uma nova Constituição da Jamaica, promulgada pelo Parlamento da Jamaica, para estabelecer a República da Jamaica como uma república parlamentar, substituindo a monarquia constitucional e afirmando nossa autodeterminação e herança cultural”, afirmou a ministra de Assuntos Jurídicos e Constitucionais à época.
Esta semana, a governante confirmou este objetivo: "Chegou o momento. A Jamaica nas mãos dos jamaicanos", afirmou Marlene Malahoo Forte em declarações à Sky News.
A ministra acrescentou que, ao tornar-se uma república, a Jamaica estaria a "dizer adeus a uma forma de governo que está ligada a uma história dolorosa de colonização e comércio de escravos".
BELIZE
O Globo lembra que também o Belize deu o pontapé de saída, em março de 2022, a um amplo processo de reforma constitucional que inclui a realização de um referendo popular sobre a possível transição para a república.
De acordo com o ministro da Reforma Constitucional e Política de Belize, Henry Charles Usher, o "processo de descolonização está a envolver a região do Caribe".
“Talvez seja hora de Belize dar o próximo passo para assumir verdadeiramente nossa independência. Mas é um assunto que o povo de Belize deve decidir”, referiu Usher perante o Parlamento do país.
Em entrevista ao The Guardian, publicada esta quinta-feira, o primeiro-ministro do Belize, Johnny Briceño, deixou claro que é "altamente provável" que o Belize seja o próximo país da Commonwealth a tornar-se numa república. Briceño deixou ainda fortes críticas ao seu homólogo britânico Rishi Sunak, que se recusou a pedir desculpas pelo passado colonizador e esclavagista do país.
SÃO VICENTE E GRANADINAS
Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, afirmou, em agosto de 2022, que pretende reabrir o debate sobre a sua autonomização face à coroa britânica e a transição para uma república. Em 2009, uma proposta nesse sentido foi chumbada em referendo. O rompimento com a monarquia britânica mereceu o apoio de 43% da população.
ANTÍGUA E BARBUDA
Também no ano passado, na sequência da morte da rainha britânica, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, revelou que o país deverá realizar, num período de dois anos, um referendo popular para se tornar uma república.
“Este não é um ato de hostilidade ou qualquer diferença entre Antígua e Barbuda e a monarquia, mas é o passo final para completar esse círculo de independência, para garantir que sejamos verdadeiramente uma nação soberana”, explicou Browne aos jornalistas.
AUSTRÁLIA
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, do Partido Trabalhista, é um defensor do republicanismo, mas não deverá avançar para um referendo popular sobre a desvinculação da monarquia durante o seu primeiro mandato, cujo término é em 2025.
Ainda assim, uma sondagem promovida pelo Instituto Ipsos em parceria com o Movimento Republicano Australiano revela que mais da metade da população (54%) quer romper com a monarquia. Acresce que se observam algumas nuances simbólicas: o rei Carlos III não irá substituir a rainha nas notas de AU$ 5, que passarão a homenagear a "cultura e história dos indígenas australianos".
O Movimento da República Australiana (MRA) tem tecido fortes críticas ao processo de coroação, rotulando como “absurdo” o pedido de súbditos da Commonwealth para jurar fidelidade a Carlos III.
Nova Peris, atleta olímpica aborígene, ex-senadora australiana do Partido Trabalhista, e -presidente da MRA, considera tratar-se de "uma afronta a todos os australianos".
"Pensar que qualquer nação que se preze se curvaria diante de um rei estrangeiro é surpreendente", vinca em comunicado, citado pelo The Guardian.
NOVA ZELÂNDIA
Na Nova Zelândia, a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, do Partido Trabalhista, tinha levantado o véu sobre um possível rompimento com a monarquia, mas o seu governo não pôs em marcha esse processo. Chris Hipkins, que em janeiro veio a substituir Ardern, e que pertence ao mesmo partido, ainda não se pronunciou sobre esta questão.
A liderança do partido Te Pati Maori da Nova Zelândia, incluindo os membros do Parlamento Debbie Ngarewa-Packer e Rawiri Waititi, pediu aos membros indígenas da Commonwealth que obtenham mais direitos de “autogestão, autodeterminação e autogoverno sobre todos os nossos domínios”.
“A coroa britânica planeou deliberadamente a nossa deslocação por muitas gerações, mas não conseguiu”, aponta, acrescentando que “é hora de desmantelar este sistema para que possamos reconstruir um que funcione para todos”.
SANTA LÚCIA
Em março de 2022, o primeiro-ministro de Santa Lúcia, Philip Pierre, deu a conhecer as suas intenções no sentido de reabrir o debate sobre a ruturas com a monarquia britânica, que tinha ficado suspenso desde 2015.
“A reforma constitucional está atrasada há muito tempo. O meu governo pretende reacender o discurso sobre a forma e o estilo que a nossa democracia deve assumir”, referiu Philip Pierre. O governante acrescentou que “a comissão parlamentar criada para esse fim será reformulada para considerar áreas específicas, como os limites do mandato do primeiro-ministro, uma data fixa para as eleições gerais, a nomeação de um vice-presidente e a questão da constituição de uma república”.