Urbanização e aumento de secas podem aumentar mosquitos que picam humanos

25 de julho 2020 - 11:30

O aumento do número dos mosquitos que preferem picar seres humanos coloca problemas ao nível da transmissão de várias doenças, diz um estudo de biólogas da Universidade de Princeton.

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Aedes Aegypti. Foto de Sanofi Pasteur/Flickr.
Aedes Aegypti. Foto de Sanofi Pasteur/Flickr.

Segundo um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Current Biology o aumento da urbanização e os climas mais secos podem fazer crescer o número de mosquitos que se alimentam através de picadas em seres humanos.

A investigação foi realizada em África e liderada pelas investigadoras do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Princeton, Noah H. Rose e Carolyn McBride. Segundo o que elas descobriram, através do estudo do mosquito Aedes Aegypti, o principal responsável pela disseminação de doenças como o dengue, a zika e a febre amarela, as populações africanas da espécie variam muito em termos de preferência pelo odor humano em contraste com o odor animal e a preferência pelo odor humano está associada às épocas secas mais intensas e à urbanização. Devido aos efeitos das alterações climáticas e como África é um continente em rápida urbanização, as picadas de mosquitos em humanos poderão vir a aumentar, defendem. E, sendo estes mosquitos “importantes vetores de doenças”, nas palavras de Carolyn McBride, o aumento de picadas aumenta o risco de transmissão de várias doenças.

A investigação recolheu mosquitos em 27 locais diferentes da África subsaariana. Em laboratório determinou-se que os mosquitos recolhidos em cidades preferiam o odor humano. O problema aumenta em cidades “extremamente densas” ou que sofrem “estações secas mais intensas”, sublinha Mcbride.

Na investigação explica-se que a maioria das doenças transmitidas por mosquitos são devidas a “poucas espécies que evoluíram de forma a especializar-se em picar humanos”. A necessidade de concentrar atenções no Aedes aegypti, nasceu assim uma vez que “as causas precisas desta alteração comportamental são pouco compreendidas”.

Descobriu-se que 80% da variação que faz os mosquitos preferir o odor humano se deve aos dois fatores “ecológicos”, a intensidade das épocas secas e densidade populacional humana, e o estudo do genoma de 375 destes mosquitos permitiu identificar o componente único que o determina, estando as alterações genéticas que fazem os mosquitos preferir os humanos “concentradas em poucas regiões cromossomáticas”.