Turquia: Polícia expulsa manifestantes da praça Taksim

11 de junho 2013 - 14:49

Forças policiais reocuparam a praça, mas os ativistas reagruparam-se na entrada do Parque Gezi. Pelo menos uma pessoa morreu, há muitos presos, entre os quais advogados que os tentavam defender. Erdogan defende a ação policial.

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Um advogado é preso diante do tribunal. Foto de Aytekin Aydin, via Twitter

A Polícia de choque invadiu a praça Taksim, em Istambul, às primeiras horas desta terça-feira, usando gás lacrimogéneo contra os ativistas que a ocupavam, numa tentativa de pôr fim aos protestos que abalam o país há duas semanas. Pelo menos uma pessoa morreu, segundo uma fonte da organização Human Rights Watch.

Centenas de manifestantes com máscaras antigás e capacetes de plástico reagruparam-se no acesso da praça ao parque Gezi, uma das poucas zonas verdes do centro da cidade e que o governo pretende substituir por um centro comercial.

Pelo menos 30 advogados que foram à esquadra de polícia defender os manifestantes detidos, foram, por sua vez, presos.

Erdogan fala em conspiração

O primeiro-ministro Recep Erdogan defendeu a operação policial, dizendo que “as ações violentas que ocorreram em muitas cidades da Turquia camuflaram-se por trás dos protestos no Parque Gezi”, apelando aos ativistas para pararem as manifestações e verem o contexto mais amplo, e aquilo a que chamou de “conspiração”.

“Que podíamos fazer? Ajoelhar diante desta gente [os manifestantes] e pedir-lhes para tirarem os cartazes?”, questionou ainda Erdogan, dizendo que os hotéis perto da praça estão vazios, bem como o comércio, e que “só os vendedores de cerveja lucraram”.

Repressão noutras cidades

Noutras cidades do país, a polícia atacou acampamentos levantados pelos “indignados” em solidariedade com a ocupação da praça Taksim de Istambul. Em Ankara, os polícias usaram canhões de água e gases lacrimogéneos para dispersar os manifestantes reunidos na praça Kizilay.

Na cidade de Adana, no sul do país, os polícias atacaram um grupo de manifestantes no bairro de Akkapi com canhões de água e gases lacrimogéneos.

A Plataforma de Solidariedade de Taksim tornou pública uma nova declaração que recua da exigência de demissão de todos os responsáveis da repressão policial, mas mantém a reivindicação de anulação dos planos de remodelação do parque Gezi e de que "não se toque nem uma só das árvores". Pedem também que se realize uma investigação sobre a violência policial contra os manifestantes.

Até esta terça-feira, a repressão aos protestos tinha provocado 5.000 feridos e dois manifestantes mortos, além de numerosos presos. Esta terça, o departamento de imprensa da Polícia turca reconheceu o suicídio de quatro agentes da polícia, alegando motivos pessoais, depois das jornadas de protesto que foram violentamente reprimidas.