A Tupperware entregou no Tribunal de Falências do Delaware, Estados Unidos, um pedido de falência. Este pode, contudo, não ser ainda o último capítulo da história da famosa marca de recipientes de plástico para alimentos, já que se pretende proteção do tribunal para continuar a funcionar durante o processo de falência e assim possibilitar uma futura venda.
A diretora-geral da empresa, Laurie Ann Goldman, explicou que as vendas caíram e a concorrência aumentou ao longo dos últimos anos e se enfrenta um “ambiente macroeconómico desafiante”. Para isto contribuiu o comércio online, as embalagens de plástico de uso único e os sistemas de entrega de refeições ao domicílio.
Incerteza em Portugal
Este anúncio causou apreensão em Portugal. A empresa tem presença no país desde os anos 1950. Atualmente tem uma fábrica em Montalvo, Constância, a funcionar desde 1980, sendo esta considerada a maior na Europa e empregando 200 trabalhadores efetivos. Já em 2022 as dificuldades se tinham feito sentir, com despedimentos nesta unidade.
O presidente da Câmara Municipal de Constância declarou à Lusa que já pediu intervenção do Governo nesta matéria e explicou que se vive “angústia, ansiedade, incerteza e preocupação”.
Também os sindicatos mostram preocupação. Dário Lima, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas, diz que a estrutura “vai pedir mais informações à administração para se inteirar do que pretende a Tupperware fazer”.
Um passado de sucesso
Em 1946, o químico Earl Tupper iniciou a produção destes recipientes no Massachusetts. A ideia era conservar melhor os alimentos, tendo patenteado um sistema de fecho hermético à prova de água e com duplo vedamento.
Tornou-se líder não só no seu país mas também no mundo inteiro. A expansão para a Europa começou dez anos depois. Seguiu-se a América do Sul e a Ásia. Este tremendo sucesso tornou o seu nome sinónimo do produto que vendia. Mesmo artigos de outras marcas eram chamados como “tupperwares”.
Mas o sucesso não foi imediato. Nos primeiros tempos, a venda em loja não correu muito bem. Para mudar significativamente o panorama contribuiu decisivamente o esquema de vendas porta-a-porta da marca, as chamadas “festas Tupperware”.
Foi a comerciante Brownie Wise que começou por sua iniciativa a desenvolver esta estratégia de venda que passava por colocar as vendedoras, sobretudo mulheres, a organizar eventos em casa de outras mulheres, espalhando assim o nome da marca. Foi depois contratada pela própria Tupperware para o continuar a fazer.
Em 2017, estima-se que a empresa tinha ainda mais três milhões destas “embaixadoras”.
Mas a falência está longe de ser surpresa. Em 2020, o grupo foi obrigado a uma reestruturação e desde então não publicava as contas anuais. Nesse ano, registava uma quebra de 42% do valores de negócios relativamente a cinco anos antes.
As suas ações tinham já caído este ano cerca de 75%. E em junho já se conhecia a intenção de fechar a única fábrica nos EUA e despedir 150 trabalhadores. A empresa estimou entretanto nos números entregues ao tribunal os seus ativos entre 500 milhões e mil milhões de dólares, e os seus passivos entre mil milhões e dez mil milhões de dólares.