Tupperware entra em falência, apreensão em Constância

19 de setembro 2024 - 18:21

Não se conhecem ainda os efeitos para os 200 trabalhadores portugueses do pedido de falência da marca, entregue nos EUA. Depois do sucesso mundial, as vendas das caixinhas inventadas por Earl Tupper em 1946 caíram a pique.

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Embalagem Tupperware
Embalagem Tupperware. Foto de Peacock Modern/Flickr.

A Tupperware entregou no Tribunal de Falências do Delaware, Estados Unidos, um pedido de falência. Este pode, contudo, não ser ainda o último capítulo da história da famosa marca de recipientes de plástico para alimentos, já que se pretende proteção do tribunal para continuar a funcionar durante o processo de falência e assim possibilitar uma futura venda.

A diretora-geral da empresa, Laurie Ann Goldman, explicou que as vendas caíram e a concorrência aumentou ao longo dos últimos anos e se enfrenta um “ambiente macroeconómico desafiante”. Para isto contribuiu o comércio online, as embalagens de plástico de uso único e os sistemas de entrega de refeições ao domicílio.

Incerteza em Portugal

Este anúncio causou apreensão em Portugal. A empresa tem presença no país desde os anos 1950. Atualmente tem uma fábrica em Montalvo, Constância, a funcionar desde 1980, sendo esta considerada a maior na Europa e empregando 200 trabalhadores efetivos. Já em 2022 as dificuldades se tinham feito sentir,  com despedimentos nesta unidade.

O presidente da Câmara Municipal de Constância declarou à Lusa que já pediu intervenção do Governo nesta matéria e explicou que se vive “angústia, ansiedade, incerteza e preocupação”.

Também os sindicatos mostram preocupação. Dário Lima, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas, diz que a estrutura “vai pedir mais informações à administração para se inteirar do que pretende a Tupperware fazer”.

Um passado de sucesso

Em 1946, o químico Earl Tupper iniciou a produção destes recipientes no Massachusetts. A ideia era conservar melhor os alimentos, tendo patenteado um sistema de fecho hermético à prova de água e com duplo vedamento.

Tornou-se líder não só no seu país mas também no mundo inteiro. A expansão para a Europa começou dez anos depois. Seguiu-se a América do Sul e a Ásia. Este tremendo sucesso tornou o seu nome sinónimo do produto que vendia. Mesmo artigos de outras marcas eram chamados como “tupperwares”.

Mas o sucesso não foi imediato. Nos primeiros tempos, a venda em loja não correu muito bem. Para mudar significativamente o panorama contribuiu decisivamente o esquema de vendas porta-a-porta da marca, as chamadas “festas Tupperware”.

Foi a comerciante Brownie Wise que começou por sua iniciativa a desenvolver esta estratégia de venda que passava por colocar as vendedoras, sobretudo mulheres, a organizar eventos em casa de outras mulheres, espalhando assim o nome da marca. Foi depois contratada pela própria Tupperware para o continuar a fazer.

Em 2017, estima-se que a empresa tinha ainda mais três milhões destas “embaixadoras”.

Mas a falência está longe de ser surpresa. Em 2020, o grupo foi obrigado a uma reestruturação e desde então não publicava as contas anuais. Nesse ano, registava uma quebra de 42% do valores de negócios relativamente a cinco anos antes.

As suas ações tinham já caído este ano cerca de 75%. E em junho já se conhecia a intenção de fechar a única fábrica nos EUA e despedir 150 trabalhadores. A empresa estimou entretanto nos números entregues ao tribunal os seus ativos entre 500 milhões e mil milhões de dólares, e os seus passivos entre mil milhões e dez mil milhões de dólares.