Muitas centenas de pessoas estão a dirigir-se para a capital da Tunísia, vindas de todos os pontos do país, nomeadamente da cidade de Sidi Bouzid, onde começaram os protestos contra o Governo, que acabaram por provocar a fuga do ditador Ben Alli.
Neste domingo, estes manifestantes, sobretudo jovens, chegaram à capital depois de viajarem durante dias e de terem percorridos muitos quilómetros, e concentraram-se junto ao palácio do governo, passando a noite na esplanada do Kasbah, vigiados pelo exército. Nesta segunda feira, a polícia carregou, usando granadas de gás lacrimogéneo, sobre esses manifestantes, que responderam atirando garrafas de plásticos e pedras. Um jovem manifestante de 22 anos, membro da União Geral dos Estudantes da Tunísia, declarou à agência France Press: “Vamos permanecer aqui até que o governo se demita e fuja como Ben Alli”.
Nesta segunda feira, teve início também uma greve ilimitada de professores, que frustrou a vontade governamental de reiniciar a actividade escolar, paralisada na semana passada devido aos acontecimentos. Segundo o secretário geral do Sindicato Nacional do Ensino Primário, Hfayed Hfayed, “o movimento está a ter uma adesão de 90 a 100% em todo o país. São raros os professores que não aderiram à greve”.
Neste domingo, a agência estatal de notícias da Tunísia informou também que foram presos dois antigos ministros de Ben Alli: Abdelaziz Bin Dhia, ex-ministro da Defesa, e Abdalá Kalal, ex-ministro do Interior. Segundo a agência os ex-ministros vão aguardar na prisão o resultado das investigações sobre as suas responsabilidades na repressão policial que provocou a morte de 120 pessoas. A agência tunisina noticiou também que Abdelwahad Abdalá, antigo assessor político do ditador, se encontra fugido, assim como 33 familiares de Ben Alli, acusados de saque de bens públicos.
Nesta segunda feira, um porta-voz do governo anunciou também uma remodelação ministerial para breve, recordando que na semana passada se demitiram 5 ministros: 3 sindicalistas, um membro da oposição e um do RCD, o partido do ditador fugido.
Também nesta segunda feira, o general Rachid Ammar, chefe do Estado maior do exército, declarou numa intervenção improvisada para centenas de manifestantes junto do palácio do governo, que o exército é o “garante da revolução” e que “não sairá do quadro constitucional”. “Somos fiéis à Constituição do país. Protegemos a Constituição. Não sairemos desse quadro.”, assegurou Rachid Ammar aos manifestantes, que reclamavam a demissão do Governo.