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Trump defende jovem acusado de matar manifestantes antirracistas em Kenosha

O presidente norte-americano alegou que Kyle Rittenhouse agiu em legítima defesa. O jovem é acusado de matar duas pessoas e ferir uma terceira, com uma espingarda semiautomática, durante os protestos contra a violência policial racista.
Donald Trump
Donald Trump. Foto de Gage Skidmore, Wikimedia.

"É uma situação interessante. Ele (Kyle Rittenhouse) estava a tentar fugir dos manifestantes, penso eu, é o que parece, e caiu. E depois de forma muito violenta atacaram-no. Imagino que estivesse num enorme sarilho. Poderia ter sido morto. Mas estamos a investigar”, avançou Donald Trump em conferência de imprensa, na segunda-feira, véspera da sua visita a Kenosha, Wisconsin.

Kyle Rittenhouse veio de Antioch, Illinois, para se juntar a grupos de milícias armadas civis que atuam para conter os protestos contra a violência policial racista que deixou Jacob Blake, baleado com sete tiros nas costas à frente dos seus filhos, paraplégico. Rittenhouse, apoiante confesso de Trump, está acusado de seis crimes.

"Temos que parar esta horrível ideologia de esquerda que parece estar a invadir o nosso país"

Trump e o Partido Republicano acusam os “anarquistas” e a “extrema-esquerda” de promoverem os protestos, avançando que estes são apoiados pelo Partido Democrata e pelo seu candidato, Joe Biden.

Os EUA vão sucumbir à “desordem e ao caos” se os democratas vencerem a eleição presidencial de novembro, alertou Trump, sublinhando que “a América nunca irá render-se à multidão, porque quando se é a multidão mandar, então a democracia está morta”. "Temos que parar esta horrível ideologia de esquerda que parece estar a invadir o nosso país", frisou o presidente norte-americano.

Questionado sobre se queria aproveitar a oportunidade para condenar os seus apoiantes que usaram armas de paintball contra os manifestantes em Portland, Trump respondeu: “Essas pessoas protestaram pacificamente”.

Trump elogiou o “excelente trabalho da polícia” em Kenosha

Trump visitou Kenosha esta terça-feira, ignorando os pedidos dos governantes da cidade para se manter afastado por forma a não contribuir para a escalada dos protestos.

O presidente norte-americano afirmou que o que se passa em Kenosha “é terrorismo doméstico” e elogiou o “excelente trabalho da polícia”: “Políticos imprudentes de extrema-esquerda continuam a promover a mensagem destrutiva de que a nossa nação e as nossas forças policiais são opressivas e racistas (…) Temos de condenar a perigosa retórica anti-policial” vincou. Trump comprometeu-se a apoiar as forças de autoridade de Kenosha com um milhão de dólares.

Donald Trump não chegou a falar sequer com a família de Jacob Blake, alegando que achou inconveniente fazê-lo, já que esta optou por recorrer à mediação de advogados. O presidente norte-americano afirmou, no entanto, que conversou com o “pastor da família” que, mais tarde, se veio a saber ser o pastor da mãe de Jacob.


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“Agentes que recorrem à violência policial = Jogadores de golfe que “bloqueiam” e falham o putt”

Numa entrevista à Fox News, Trump comparou os agentes que recorrem à violência policial e cujas ações acabam, muitas vezes, por ser letais, com os jogadores de golfe que “bloqueiam” e falham o putt (movimento final para acertar num buraco).

O presidente norte-americano equiparou ainda a pobreza à criminalidade, ao acusar a oposição democrata de querer “destruir os subúrbios e o sonho americano" por reivindicarem “habitações sociais para quem tem baixos rendimentos”. “Isso traz muitos outros problemas, incluindo o crime", assinalou.

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