A troika (CE/BCE/FMI) defendeu em conferência de imprensa, nesta quarta feira em Lisboa, que as empresas reduzam os salários dos trabalhadores portugueses do sector privado, à semelhança dos cortes feitos nos salários dos trabalhadores da função pública.
“A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas”, declarou a troika.
O representante da Comissão Europeia na troika, Jürgen Kröger, afirmou mesmo: “Têm de competir com países em que os custos laborais são muito mais baixos, e isso consegue-se de duas formas: reduzindo salários e aumentando a eficiência”, acrescentando ainda que “se o sector público corta salários, é óbvio que haverá contágio e o privado irá seguir”.
O representante do FMI, Poul Thomsen, reforçou esta posição: “É de uma importância crucial que estas reformas permitam alinhar a produtividade dos trabalhadores com as remunerações por estes recebidas. A isto chama-se flexibilidade do mercado laboral, que é uma parte importante deste programa, onde o Governo já fez muito, mas pode fazer muito mais”.
Em declarações à comunicação social, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares acusou a troika de querer transformar Portugal de um país de “salários baixos” num país de “salários miseráveis” e salientou que estes apelos aos cortes são feitos depois de a troika e o Governo terem desbloqueado 8.000 milhões de euros para os bancos.