O jornal apurou que na segunda revisão do memorando de entendimento, que ocorreu no mês passado, os chefes da missão do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu exigiram que o governo obtenha uma receita adicional em taxas moderadoras de 150 milhões de euros em 2012.
Acontece que com os aumentos já anunciados, a receita adicional prevista é de 99 milhões de euros. Assim, para cumprir à risca as exigências da ‘troika', o governo terá de avançar com taxas mais caras para arrecadar mais 51 milhões.
A ‘troika' quer ainda que a receita aumente outros 50 milhões de euros em 2013, o que faz prever novos aumentos.
Louçã: SNS «não é um negócio»
Para o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, as taxas moderadoras que entrarão em vigor dentro de duas semanas vão ter valores semelhantes aos praticados pelo sector privado. O deputado e professor de Economia lembra que o Serviço Nacional de Saúde não é um negócio. “Os privados são um negócio, mas o SNS é pago por todos nós, com o dinheiro dos impostos, para garantir acesso à saúde a todas as pessoas que precisem, e isso chama-se democracia”.
Louçã denunciou que qualquer pessoa que ganhe 628 euros por mês poderá ser obrigada a pagar 60 euros num episódio de urgência em que tenha de fazer uma análise complementar”, ou seja, um décimo do seu salário.
O Bloco leva à Assembleia da República na próxima semana uma iniciativa que visa “interromper estas taxas tão punitivas”.