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Trabalhadores do Santander voltaram a protestar contra despedimento coletivo

No Dia de Reis, os trabalhadores levaram à porta da sede do banco caixas embrulhadas com as palavras “burnout”, “vidas destruídas”, “precariedade”, “assédio” ou “despedimentos”.
Protesto dos trabalhadores do Santander em Lisboa. Foto Miguel A. Lopes/Lusa

O ano de 2021 ficou marcado pelo afastamento de milhares de trabalhadores do setor da banca. Nas contas de João Pascoal, dirigente do Movimento Mudar Bancários, só o Santander foi responsável pela saída de 1.400 trabalhadores no ano passado, incluindo os 145 que estão a ser alvo de um processo de despedimento coletivo.

Esta quarta-feira, estes trabalhadores assinalaram o Dia de Reis com um protesto à porta da sede do banco, colocando caixas embrulhadas onde se podia ler palavras como “burnout”, “vidas destruídas”, “precariedade”, “assédio” ou “despedimentos”. Tratou-se “de uma ação simbólica dos trabalhadores despedidos agora pelo Banco Santander Totta que vêm devolver tudo aquilo que lhes foi dado no ano de 2021”, afirmou João Pascoal à agência Lusa.

“Muitos de nós, com a nossa luta, conseguiram que fossem reformas antecipadas – cerca de 750 reformas –, outros aceitaram rescisões por mútuo acordo – algumas centenas –, e, finalmente, há mais de uma centena de trabalhadores que estão em condições de despedimento coletivo e que não têm condições para aceitar nenhuma das outras propostas”, acrescentou o sindicalista. Pascoal criticou ainda a inação do Governo face a esta situação, apesar das promessas da ministra do Trabalho, e quer que a administração volte atrás na decisão de avançar para o despedimento coletivo, como já fez em relação a alguns dos casos.

A Lusa ouviu alguns bancários que estão a ser alvo do despedimento coletivo. Débora Óscar promete impugnar nos tribunais o seu processo de despedimento que se irá consumar a 14 de janeiro. E acusou a administração do banco de ter feito “um aproveitamento da digitalização, juntamente com a pandemia para acelerar um processo que não estava preparado” e que “afastou 25% da sua força de trabalho”, privando-a “de poder aceder à reforma a que tinha direito”.

Para Rui Lopes, com 15 anos de casa, tratou-se de um processo “abrupto e sem nenhuma sensibilidade social” e que “não teve contemplações com as situações das pessoas, não procurou arranjar compensações ajustadas para este desamparo que vai gerar nas vidas das pessoas”. Também este bancário irá a tribunal para fazer valer os seus direitos.

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