Trabalhadores de call centers da EDP em greve contra precariedade e baixas remunerações

03 de dezembro 2014 - 13:50

Os trabalhadores dos dois call centers de Lisboa, subcontratados pela EDP, através da empresa Tempo Team, iniciaram esta quarta-feira uma paralisação de dois dias, exigindo a integração nos quadros da elétrica e aumentos salariais.

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Comissão Sindical SIESI – Randstad/Tempo-Team

Cerca de centena e meia de trabalhadores que garantem o atendimento das chamadas dos clientes da EDP sobre faltas de energia, avarias, contratação ou faturação, concentraram-se no Parque das Nações, onde se situa um dos call centers.

Segundo Anna Catarino, representante do Sindicato das Industrias Elétricas do Sul e Ilhas (SIESI), e que trabalha num dos call centers da capital, a EDP recorre ao regime de subcontratação há mais de 20 anos.

“Temos colegas que já fizerem 25 anos de casa, sempre através de prestadores de serviços. Se nos bastidores fazemos aquilo que é necessário para linha da frente da EDP, então deveríamos ser EDP, não deveríamos estar fora”, frisou a sindicalista, em declarações à agência Lusa.

Segundo Anna Catarino, a “grande fatia dos lucros anuais da empresa advém dos prestadores de serviços”, sendo que se os cerca de dois mil trabalhadores neste regime pertencessem aos quadros da EDP, esta “despenderia menos dinheiro do que aquele que contrata com as empresas de prestadores de serviços”.

“Somos EDP, somos a voz da EDP, mas no nosso recibo de vencimento de todos os meses somos prestadores de serviços”, lamentou, avançando que “há nove anos que os vencimentos estão estagnados”.

O último aumento “não chegou aos nove euros”, em ordenados que rondam o ordenado mínimo até aos 654 euros, apontou.

A sindicalista referiu ainda que os próprios trabalhadores da EDP estão do lado dos trabalhadores dos call centers, reconhecendo “ser uma vergonha” manter estas pessoas em prestação de serviços.

Enquanto não for garantida a integração nos quadros da EDP, Anna Catarino defende que deve ser incluída uma cláusula no contrato com os prestadores de serviço que preveja que os trabalhadores que estão naqueles postos mantenham “a antiguidade e fiquem garantidos todos os direitos”.