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Trabalhadores das cantinas escolares em protesto contra precariedade e abusos laborais

Os trabalhadores acusam a Uniself de forçar férias e de não pagar devidamente valores referentes a férias, subsídio de férias, subsídio de natal e compensação por caducidade a muitos trabalhadores.
Trabalhadores das cantinas em protesto em 2019. Foto da FESAHT/Facebook.
Trabalhadores das cantinas em protesto em 2019. Foto da FESAHT/Facebook.

Esta terça-feira, na Senhora da Hora, em Matosinhos, frente aos escritórios da Uniself no norte, os trabalhadores das cantinas escolares vão estar em protesto. A concentração foi marcada pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal e pretende denunciar a persistente precariedade a que estão sujeitos.

À Lusa, o dirigente sindical Francisco Figueiredo explica que “o modelo de contratações de trabalhadores maioritariamente em vigor nesta área” é obrigar “funcionários com 15, 18 e mesmo 20 anos de trabalho nas mesmas funções” a novos contratos “com vínculos a termo todos os anos”.

Os trabalhadores pensam que “não é compreensível que esta precariedade vigore” e exigem “a reposição dos direitos e a passagem ao quadro da empresa como trabalhadores efetivos”.

O protesto acontece em frente aos escritórios da Uniself uma vez que esta empresa explora cerca de 300 cantinas nas escolas da Direção Regional de Educação do Norte. Nelas trabalham “mais de mil trabalhadores” mas a empresa “não pagar os direitos devidos aos trabalhadores”. O sindicato estima que há “diferenças de 400/600 euros a menos a cada trabalhador”. Um comunicado da estrutura sindical acusa a empresa de não ter pago “devidamente aos valores referentes às férias, subsídio de férias, subsídio de natal e compensação por caducidade a muitos trabalhadores”.

A situação levou os sindicatos a fazer reclamações individuais para cada caso. “Mas isso leva o seu tempo”, diz Francisco Figueiredo, porque haverá “centenas de pessoas afetadas.

A Uniself, que ganhou o concurso para mais dois anos letivos, “obrigou os trabalhadores a férias forçadas” em tempo de confinamento, deduzindo-lhes depois valores na ordem dos 150 a 250 por férias gozadas a mais, e “diminuiu-lhes os direitos e os pagamentos que lhe são devidos”.

De acordo com a FESAHT, “os trabalhadores estão em ‘lay-off’ há quatro meses consecutivos, muitos deles perderam centenas de euros no salário todos os meses, vivem uma situação muito difícil, esta diferença nos direitos vem agravar a já muito débil situação económica dos trabalhadores”.

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