A 2 de junho, 42 dos trabalhadores da fábrica da Saint-Gobain Sekurit de Avilés, nas Astúrias, e 51 dos de Arboç, em Tarragona, na Catalunha, foram confrontados com um processo de ERE, o “expediente de regulação de emprego”, um mecanismo legal espanhol que permite a uma empresa que alegue problemas económicos graves suspender ou fazer o despedimento coletivo de trabalhadores. A partir de dia 19, os seus colegas, cerca de 300 em Tarragona e perto de 480 em Avilés, lançaram uma greve em ambas as fábricas, pararam a produção durante vinte dias e fizeram com que a empresa recuasse esta sexta-feira.
O fabricante de para-brisas e vidros para a indústria automóvel tinha alegado a “transformação” do mercado do setor, que “arrasta todo o seu setor industrial” e dito que previa uma quebra de vendas. Em resposta, a greve foi convocada pelos representantes das quatro estruturas sindicais da empresa: Comisiones Obreras, UGT, CGT e CSI.
Sindicalistas e trabalhadores sentem que venceram mas que a questão não está encerrada. Ao jornal El Salto, Jesús Moro das CCOO, diz que continua a “incerteza” sobre o que a empresa vai fazer, um vez que não tem comunicado as suas intenções aos sindicatos. Pretendem debater com a empresa um plano industrial que integre “investigação e desenvolvimento de novos produtos” para que haja a fabricação de produtos “com mais valor acrescido que assegurem o futuro das instalações.”
Ao mesmo órgão de comunicação social, Modesto Cordero, da CGT de Tarragona recorda que o acordo coletivo de trabalho terminou o ano passado e que os sindicatos continuam à espera de serem convocados para discutir o próximo. Descreve ainda que a greve se viveu com “tensão” e paciência” até ao resultado alegre que foi conseguir que “93 famílias não vão para a rua”.