Os trabalhadores das limpezas dos comboios sofrem há duas décadas os atropelos laborais por parte das empresas a quem a CP entrega a concessão dos serviços. “Tudo começou com empresa ESABE que desapareceu e não pagou subsídios de férias, depois, a Ambiente e Jardim que abriu insolvência e os trabalhadores ainda não receberam o que lhes é devido e agora é a Highpoint, que não sabemos como vai acabar”, afirma o sindicato STAD, que convocou uma greve de 24 horas para o dia 24 de janeiro.
A atual concessionária é a Highpoint e os trabalhadores denunciam que esta empresa tem pago os salários apenas no dia 8 do mês seguinte. Além da greve de 24 de janeiro, caso o salário de dezembro não seja pago até lá, os trabalhadores prometem nova paralisação para os dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro “se a empresa não começar a pagar os salários de janeiro logo no dia 31 de janeiro de manhã”. O sindicato irá promover também uma concentração de denúncia e protesto no dia 31 de janeiro em Lisboa.
“Nós começamos a trabalhar no início do mês - não começamos a trabalhar no dia 8”, sublinham os trabalhadores, recusando-se a ser tratados como “a renda de casa que pode ser paga até dia 8”.
CP fez “escolhas erradas” ao atribuir este serviço a “empresas de vão de escada”
“Os trabalhadores e trabalhadoras cumprem com a sua obrigação todos os dias quando dão a sua força de trabalho na limpeza dos comboios e aquilo que se exige é que a empresa pague os salários e cumpra a Lei”, diz o STAD em comunicado, acusando a CP de ter feito “escolhas erradas” ao atribuir este serviço a “empresas de vão de escada”. O sindicato já fez queixa na Autoridade para as Condições do Trabalho e solicitou uma reunião com a administração da CP, que ainda não respondeu ao pedido. O próximo passo será solicitar ao Ministério do Trabalho uma reunião conjunta com a CP e a Highpoint e audiências com os grupos parlamentares “para denunciar a situação escandalosa que se passa na CP, Limpeza de Comboios, com a entrega da prestação de serviços na limpeza dos comboios a empresas que não têm respeito pelos direitos dos trabalhadores e que dura há vários anos”.
O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda também questionou o Governo sobre a situação destes trabalhadores e qual a solução que irá apresentar para que a lei seja cumprida e o pagamento dos salários seja efetuado atempadamente todos os meses.
No verão de 2021, os trabalhadores das limpezas dos comboios ficaram sem receber salários e as empresas concessionárias (Ambiente & Jardim SA e Ambiente & Jardim II SA, ambas do mesmo dono) tiveram os bens arrestados por dívidas de 25 milhões de euros à Autoridade Tributária e Segurança Social. Também aqui recorreram à greve e a CP foi obrigada a rescindir o contrato. Mas em vez de internalizar este serviço essencial ao funcionamento dos comboios, como na altura defendeu o Bloco de Esquerda, voltou a concessioná-lo a uma empresa externa.