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Timor-Leste com níveis “alarmantes” de fome

O relatório Índice Global da Fome, realizado anualmente pelas ONG Welthungerhilfe e Concern Worldwide, coloca Timor-Leste como o segundo pior entre os 107 países analisados. Pior, só o Chade.
Criança de Timor-Leste. Foto da ONU Flickr.
Criança de Timor-Leste. Foto da ONU Flickr.

A décima quinta edição do relatório Índice Global da Fome mostra que a fome em Timor-Leste atinge níveis "alarmantes" e que se tem agravado. É mesmo o segundo país pior classificado num conjunto de 107 analisados.

Este índice é produzido anualmente pelas organizações Welthungerhilfe e Concern Worldwide. Os especialistas pontuam os diversos países a partir da quatro indicadores: a "subnutrição (parte da população com ingestão calórica insuficiente), debilitação infantil ou 'wasting' (crianças com menos de cinco anos que têm baixo peso para a sua altura, refletindo subnutrição aguda), nanismo infantil ou 'stunting' (crianças com menos de cinco anos e que têm altura baixa para a sua idade, refletindo subnutrição crónica) e mortalidade infantil (taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos, refletindo a mistura fatal de nutrição inadequada e ambientes pouco saudáveis)".

A conclusão sobre Timor-Leste é que a situação se tem agravado, o que os autores do relatório atribuem a "uma série de fatores que tem contribuído para a insegurança alimentar crónica em Timor-Leste", entre os quais uma produtividade agrícola baixa, um consumo alimentar inadequado, "tanto em quantidade como qualidade", e a dependência de muitos timorenses de estratégias "únicas de baixo valor de subsistência". Acrescenta-se ainda que “a infraestrutura básica de saneamento, água limpa, estradas, irrigação, escolas e saúde é pobre, como também é baixo o nível de capital financeiro e humano do país”.

30,9% dos timorenses de leste sofrem com subnutrição. O que faz com que, por exemplo, 51,2% das crianças sofra de nanismo e “quase 15%” de “debilitação”. A mortalidade infantil é de 4,6%. Ainda assim, o número de pessoas subnutridas tem baixado: em 2002 eram 41,6%.

Melhorias lentas nos níveis de fome foram registadas em vários países, mas o contexto de pandemia poderá duplicar o número de pessoas que sofrem com fome. Estes números, aliás, não medem ainda a influência da pandemia que afetou a produção, circulação e comercialização de bens alimentares por todo o mundo. Estima-se que a crise associada à pandemia possa aumentar em 6,7 milhões o número de crianças subnutridas e que possam existir mais cerca de 130.000 mortes infantis.

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