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Tailândia: dezenas de milhares desafiam proibição de manifestar-se

Na véspera a polícia tinha usado canhões de água contra estudantes. No próprio dia os transportes públicos foram fechados. O estado de emergência estava declarado e os ajuntamentos proibidos. Mas nada demoveu o protesto pró-democracia.
Manifestantes em Banguecoque. Outubro de 2020. Foto de NARONG SANGNAK/EPA/Lusa.
Manifestantes em Banguecoque. Outubro de 2020. Foto de NARONG SANGNAK/EPA/Lusa.

Dezenas de milhares de pessoas voltaram a sair às ruas de Banguecoque e de várias outras cidades da Tailândia este sábado, rompendo as mais recentes tentativas de abafar o protesto.

Na semana passada cerca de 65 opositores tinham sido presos, segundo uma organização não governamental de advogados em defesa dos direitos humanos. As forças policiais tentam apanhar os “líderes do protesto” enquanto nas ruas se canta em desafio “somos todos líderes do protesto”.

Na véspera, uma manifestação tinha enfrentado dura repressão com os canhões de água policiais a fazerem estragos entre a multidão. Muitos estudantes foram atingidos com uma mistura de água e químicos que irritavam os olhos. E nesse mesmo dia, o estado de emergência foi declarado e reuniões políticas com cinco ou mais pessoas foram banidas. Os transportes públicos foram encerrados pelas autoridades. A resposta foi deslocalizar as manifestações com três principais em pontos diversos da cidade e várias outras mais pequenas.

Os protestos contra a monarquia e o governo duram há meses e as tentativas de os quebrar têm tido o efeito contrário. Irromperam em fevereiro contra a decisão do Tribunal Constitucional de proibir o partido Futuro pela Frente por uma suposta violação da lei de doações aos partidos políticos. Tal como em outras contestações, a chegada da pandemia trocou as voltas às mobilizações que agora voltaram em força.

Algumas das posições deste partido contra a omnipresença das chefias militares na política nacional irritaram o regime e encontraram eco em diversos setores da população.

O primeiro-ministro Prayuth Chan-ocha, que chegou pela primeira vez ao poder através de um golpe militar em 2014, é um dos grandes visados. Foi reconduzido no cargo depois das eleições do ano passado que os manifestantes contestam.

O outro é o rei Maha Vajiralongkorn. O monarca passa grande parte do ano na Europa, residindo habitualmente na Alemanha. Mas agora está numa das visitas mais longas ao país. A monarquia é abertamente contestada apesar de estar instituído no país um crime de lesa-majestade que faz com que qualquer “insulto” ao rei ou à monarquia possa ser castigado com 15 anos de prisão.

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