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Swissleaks: Inspetora das Finanças na lista de clientes do HSBC

A lista de clientes portugueses da filial do banco HSBC em Genebra inclui "nomes sonantes", diz a TVI. A estação divulgou o caso de uma inspetora que hoje tem alta responsabilidade nas Finanças e que aparece associada a um offshore chamado Bordel Investment.
Foto Paulete Matos

A estação televisiva TVI associou-se ao trabalho do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação e detém a lista de clientes portugueses do HSBC Private Bank de Genebra entre 2006 e 2007. O banco oferecia esquemas que permitiam esconder o dinheiro do fisco ou facilitar o branqueamento de capitais por parte dos clientes, embora também houvesse uma parte de depósitos legais.

Segundo a TVI, nesta lista de 611 pessoas “há nomes sonantes. Famílias conhecidas, gente influente no mundo dos negócios, que move milhões de euros”. Mas para já, a estação divulgou apenas o caso de Filomena Martinho Bacelar, ex-quadro da Parque Expo, Metro do Porto, Águas de Portugal, ANA, Transtejo, Docapesca e Hospital Distrital de Santarém. Atualmente trabalha na Inspeção Geral de Finanças como “chefe de equipa em direção operacional”.

Na sua ficha de cliente constava no início de 2006 uma quantia de 428 mil dólares detida pelo offshore Bordel Investment Holdings Limited, que detém uma empresa imobiliária gerida pela advogada Ana Bruno, que chegou a ser investigada no âmbito da “operação Monte Branco”. Juntando este montante ao de outros familiares da inspetora que constam na lista, a fortuna depositada na Suíça ascendia aos 2.5 milhões de dólares, que hoje corresponde a 2.3 milhões de euros. Contactada pela TVI, disse desconhecer o assunto e que só pode dar entrevistas com autorização superior. Do Ministério das Finanças veio a resposta de que se trata “de um assunto exclusivamente do foro pessoal”. 

Quem são os portugueses?

Dos 611 clientes com origem em Portugal, alguns deles partilhando contas entre si, há 377 homens, 218 mulheres e 22 entidades. 421 têm morada fiscal em Portugal e foi possível confirmar a nacionalidade portuguesa a 137 pessoas e estrageira a 45, faltando conhecer a nacionalidade de 416 destes clientes do HSBC Private Bank.

A maior conta pertence a um “banco nacional”, que tinha 144 milhões depositados à guarda do banco em Genebra e muitos dos clientes usaram empresas e fundos offshore sedeados nas Ilhas Caimão, nas Ilhas Virgens Britânicas, no Panamá e também na Madeira.

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