Swaps: governo não comenta validação de documentos

07 de novembro 2013 - 9:48

Ministério das Finanças continua mudo perante a conclusão do Ministério Público de que não houve qualquer manipulação dos documentos que levaram à demissão, em agosto, do secretário de Estado Joaquim Pais Jorge. PSD, que na época afirmou que “a democracia não pode ficar refém de documentos manipulados”, também nada diz.

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Pais Jorge, à esquerda na foto, sempre foi defendido por Maria Luís Albuquerque. Foto de Manuel Almeida/Lusa

O ministério das Finanças permanece em total silêncio perante a conclusão do Ministério Público de que não houve manipulação dos documentos que implicavam o ex-secretário de Estado do Tesouro Pais Jorge na tentativa de vender ‘swaps’ ao governo de Sócrates. O PSD, que na época (agosto deste ano) exigiu a investigação, acompanha o mutismo do governo.

“O Ministério Público determinou o arquivamento do inquérito originado por participação da senhora ministra das Finanças tendo por objeto uma eventual desconformidade entre os documentos apresentados em reportagens televisivas da SIC, designadamente a do jornal da noite de 5 de agosto de 2013 e os documentos oficiais”, lê-se na nota de imprensa da Procuradoria-Geral da República.

Segundo a Justiça, após a investigação, "não resultam indícios de que o documento exibido pela SIC tenha sido adulterado ou modificado, tendo em conta a confirmação dos factos e a existência de vários documentos de trabalho com características próprias".

Documentos levaram à demissão de secretário de Estado

Recorde-se que os documentos que agora foram validados pelo Ministério Público provavam que o então Secretário de Estado Joaquim Pais Jorge, em 2005, quando era quadro do Citigroup, tentou vender ao governo Sócrates contratos “swap” destinados a mascarar as contas públicas, ocultando o défice. Pais Jorge acabaria por se demitir, mas negou sempre a responsabilidade pela proposta de compra de “swaps”.

O Ministério das Finanças, para defendê-lo, avançou então com a tese da manipulação dos documentos, alegando que fora introduzida uma segunda página falsa para que constasse o nome de Pais Jorge.

"Numa sociedade livre não há factos políticos por esclarecer"

Também o PSD, pela voz do vice-presidente Marco António Costa, afirmou que Pais Jorge fora "alvo de um processo de intenções cirurgicamente conduzido por pessoas que forneceram à imprensa documentos que hoje já se sabe terem sido manipulados".

O dirigente do PSD chegou ao ponto de afirmar que "numa sociedade livre não há factos políticos por esclarecer", e que "a democracia e a opinião pública nunca podem ficar reféns de ambiguidades ou de documentos manipulados".

Agora que se provou que não houve qualquer manipulação, seria de esperar uma reação do PSD. Em vão.