A ministra do Trabalho defendeu publicamente que não pode "haver em Portugal pessoas a ganhar mais por subsídio de desemprego do que se estivessem a trabalhar" e que seria preciso "evitar que em Portugal possa haver situações em que quem não trabalha na verdade tem rendimentos dados pelo Estado que favoreçam a situação de se manter como está em vez de fazer procura ativa de emprego e trabalhar".
Questionado sobre eventuais mudanças durante o debate quinzenal, o primeiro-ministro Luís Montenegro respondeu que as palavras da ministra não se referiam a cortes no subsídio de desemprego, abrindo a porta a cortes num “conjunto de outras prestações”, como o subsídio social de desemprego.
Por seu lado, a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, após uma reunião com a ministra do Trabalho, afirmou que a concertação social está a debater a aplicação de "critérios mais eficazes em termos do que se considera o emprego conveniente".
Face a estas declarações “contraditórias entre si”, o Bloco de Esquerda requereu a audição urgente da ministra, lembrando que se no caso do subsídio de desemprego “falamos de uma prestação contributiva - em que os trabalhadores descontam uma percentagem do seu salário, para que depois lhes um possa ser garantido um direito social, para qual o contribuíram -, no caso do subsídio social de desemprego, falamos de uma prestação não contributiva e que, em média, se fixa em 397 euros”.
Mas acrescentam que "qualquer que seja a alteração, vai implicar uma mudança profunda" nas regras atualmente em vigor "nomeadamente no que diz respeito ao conceito de emprego conveniente e à possibilidade de cumulação de rendimentos do trabalho com prestações sociais".