No documento, aprovado por unanimidade, o Bloco lembra que Durão Barroso “assumiu funções de chefe de governo no período fundamental de negociação e decisão final de adjudicação do contrato de aquisição dos submarinos ao consórcio alemão GSC e respetivo contrato de contrapartidas”.
“Da informação recolhida pela comissão, quer em audições já realizadas quer na documentação remetida pelas diversas entidades, confirma-se a necessidade de audição do ex-primeiro ministro”, acrescentam ainda os bloquistas.
Hans-Peter Muehlenbeck, um dos ex-administradores da Ferrostaal, revelou, inclusive, ter tido uma reunião sobre os submarinos com Mário David, então assessor de Durão Barroso, que depois veio a ser secretário de Estado dos Assuntos Europeus e mais tarde eurodeputado.
O antigo gestor alemão, condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa, referiu ainda um encontro com Barroso, na Baviera, organizado pelo ex-cônsul honorário de Portugal em Munique, Jurgen Adolff, também ele condenado por corrupção.
A audição de Barroso acabou por ser aprovada por unanimidade, tendo motivado um "contra-ataque" do PSD e do CDS-PP, que pediram para ouvir o ex-primeiro ministro do PS, António Guterres.
A maioria anunciou, entretanto, que iria chumbar todas as outras propostas de novas audições por considerar que a comissão já concluiu o seu trabalho.
De acordo com as regras das comissões de inquérito, os dois ex-primeiros-ministros poderão optar por depor presencialmente ou por escrito, sendo que cada grupo parlamentar vai fazer uma lista de pergunta e enviar para Barroso e para Guterres.