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Concessão dos estaleiros de Viana é “negociata para privados, com o dinheiro de todos”

Em visita aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, defendeu uma auditoria à gestão da empresa e denunciou que a subconcessão é uma “negociata para privados, com o dinheiro de todos, ao mesmo tempo que se despedem trabalhadores especializados”.
Catarina Martins e António Costa da Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo (ao centro). Foto de Catarina Oliveira

“É preciso dizer que este negócio - da subconcessão - o que faz é pedir a cada português para dar três euros para despedir os trabalhadores e entregar os estaleiros, de borla, de mão beijada, a uma empresa que está na falência. É uma negociata para privados, com o dinheiro de todos, ao mesmo tempo que se despedem trabalhadores especializados”, afirmou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins, recordou que o Bloco questionou a Comissão Europeia sobre a investigação de Bruxelas às ajudas públicas atribuídas aos estaleiros, apresentada como “justificação” pelo Governo para o “negócio da subconcessão” dos estaleiros ao grupo Martifer.

“Uma decisão que não é clara que assim seja. Por isso, achamos que do ponto do vista europeu podemos intervir para travar este negócio”, sublinhou.

Com esta reunião com a comissão de trabalhadores, a coordenadora disse pretender transmitir a “solidariedade” do Bloco, a qual “se estende a todo o país”. Para Catarina Martins, o “desemprego e destruição” nos estaleiros é a mesma que o Governo “quer para todo o país”.

“A solidariedade e determinação na luta contra esta negociata será certamente nacional e de tantos e tantos neste país”, afirmou a dirigente bloquista.

O grupo Martifer anunciou que vai assumir em janeiro a subconcessão dos terrenos, infraestruturas e equipamentos dos Estaleiros de Viana do Castelo, pagando ao Estado uma renda anual de 415 mil euros, até 2031.

A nova empresa West Sea deverá aparentemente recrutar apenas 400 dos atuais 609 trabalhadores, que estão a ser convidados a aderir a um plano de rescisões amigáveis que vai custar 30,1 milhões de euros, suportado com recursos públicos.

Ao longo de 69 anos de atividade, os estaleiros construíram mais de 220 navios, mas por iniciativa de vários governos a empresa foi sendo desintegrada e descapitalizada, apresentando hoje um passivo superior a 300 milhões de euros.

A coordenadora do Bloco anunciou ainda que o Bloco de Esquerda se vai juntar ao PCP na proposta de constituição de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar responsabilidades políticas e administrativas pela situação atual dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

O mesmo pedido foi formulado nos últimos dias pelo presidente da Câmara de Viana do Castelo, o socialista José Maria Costa, ao grupo parlamentar do PS.

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