Sondagem da Shell no Twitter arrasada por ambientalistas

04 de novembro 2020 - 18:03

A empresa de combustíveis fósseis perguntou o que as pessoas estavam dispostas a fazer para reduzir emissões de gases poluentes. Greta Thunberg, Alexandria Ocasio-Cortez e vários cientistas do clima responderam à letra.

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Logotipo da Shell. Foto de Robert Laliberte/Flickr.
Logotipo da Shell. Foto de Robert Laliberte/Flickr.

Na passada terça-feira, a Shell colocou uma sondagem na sua conta do Twitter. Perguntava “o que é que estão dispostos a mudar para ajudar a reduzir emissões?” e apresentava quatro alternativas: compensar emissões, deixar de voar de avião, comprar um veículo elétrico ou aderir à eletricidade renovável.

A história desta operação de limpeza de imagem por parte de quem quer parecer verde poderia ter acabado logo ali com uma participação reduzida de 199 pessoas na sondagem. Mas tornou-se viral dadas as respostas que acusaram empresa de manipulação.

Entre elas estava a ativista ambiental Greta Thunberg. A jovem criadora das greves climáticas estudantis escreveu o seguinte: “Não sei quanto a vocês mas eu certamente estou disposta a responsabilizar as empresas de combustíveis fósseis por destruírem conscientemente as futuras condições de vida para inúmeras gerações por lucro e depois tentarem distrair as pessoas e impedir uma verdadeira mudança sistémica através de intermináveis campanhas de greenwash”, um termo utilizado pelos ambientalistas para descrever a forma como várias empresas poluidoras tentar limpar a imagem, parecendo ambientalmente responsáveis, apesar de manterem as suas piores práticas. Mais de 49 mil pessoas “gostaram” da publicação.

Ainda maior repercursão teve a resposta da recém-reeleita congressista norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez. Os “gostos” já excederam os 390 mil e continuam a somar-se. Esta figura conhecida da esquerda do Partido Democrata escreveu: “Estou disposta a responsabilizar-vos por mentirem acerca das alterações climáticas durante 30 anos, quando já sabiam secretamente durante este tempo que as emissões de combustíveis fósseis iriam destruir o nosso planeta”.

Estas duas respostas são apenas uma amostra dos cerca de 7,5 mil comentários (até ao momento) dados à pergunta da Shell. A esmagadora maioria alinham pelo mesmo diapasão. Vários cientistas do clima também se deram ao trabalho de responder à empresa. Katharine Hayhoe foi uma delas, mas o seu comentário foi escondido. Escreveu: “Responsabilizar-vos pelos 2% de emissões globais acumulativas de emissões de gases com efeitos de estufa, o equivalente a todo o meu país de origem, o Canadá. Quando tiverem um plano concreto para tratar disso, terei todo o prazer em conversar convosco acerca do que estou a fazer para reduzir as minhas emissões pessoais”.

A sondagem só esteve online oito horas. Depois foi encerrada com a Shell a concluir que “mudar o sistema energético requer que toda a gente faça a sua parte.” Acrescentaram ainda que “pela nossa parte, como dissemos na semana passada, a Shell irá remodelar o seu portfólio de bens e produtos para cumprir as exigências de uma energia mais verde dos nossos clientes nas próximas décadas”.

Mas terá sido Bill Weir, o correspondente principal da CNN para questões climáticas, quem melhor terá resumido o espírito das respostas à publicação: “É como se Freddy Krueger perguntasse o que estão disponíveis a fazer para dormirem melhor”.