Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da agricultura e das indústrias de alimentação, bebidas e tabacos de Portugal denuncia que a unidade da Cerealis na Trofa impôs na semana passada "um regime ilegal de laboração contínua" sem que os trabalhadores tenham sido ouvidos e contra a sua vontade. E agora está "a forçar o gozo de dois dias de férias no próximo fim de semana", comprovando assim "que a imposição do horário é descabida e puramente ideológica".
O sindicato avisou os trabalhadores que os mapas de férias "estão fechados desde a sua publicação até 15 de abril, e que as exceções possíveis terão sempre de passar pelo escrutínio da Comissão Sindical". E que da análise que fez da escala de laboração contínua, foi possível descortinar várias irregularidades quanto aos tempos de trabalho e descanso.
O caso foi denunciado à Autoridade para as Condições do Trabalho com a exigência de uma "intervenção célere que ponha fim a tamanho descalabro de irregularidades e atropelos".
Para o Sintab, esta sucessão de decisões avulsas revela uma gestão "completamente à deriva", "atrapalhada e confusa" que tem apenas em vista a "satisfação plena e única do enquadramento ideológico dos acionistas". A empresa que é líder na produção de massas alimentícias e farinhas industriais, com as marcas Milaneza, Nacional e Napolitana, foi adquirida pelas famílias Moreira da Silva e Silva Domingues, proprietários da BA Vidro, e tem ainda uma participação de 33,3% na Europasta, empresa de massas alimentícias com sede na República Checa.