Sindicato acusa Pingo Doce de discriminação e apresenta queixa à ACT

07 de maio 2012 - 19:25

Os trabalhadores do Pingo Doce vão receber a 500% por terem trabalhado no feriado do 1º de Maio. Além deste extra, os empregados têm ainda direito à mesma campanha de desconto de 50% nas compras, até ao final desta semana, uma promoção que exclui os funcionários que fizeram greve no feriado, os que estavam doentes, de folga ou em férias. Bloco já questionou o Ministério da Economia e do Emprego sobre eventual ação da ACT.

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O Pingo Doce apenas permitir o acesso aos descontos de 50 por cento aos funcionários que trabalharam no 1.º de Maio - uma promoção que exclui exemplarmente os funcionários que fizeram greve no feriado. Foto de Paulete Matos.

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) apresentou, esta segunda-feira, uma queixa na Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) contra a Jerónimo Martins. Em causa está o facto de a empresa que detém o Pingo Doce apenas permitir o acesso aos descontos de 50 por cento aos funcionários que trabalharam no 1.º de Maio - uma promoção que exclui exemplarmente os funcionários que fizeram greve no feriado.



Além disto, “quem está doente, de folga ou de férias não tem acesso à campanha, o que é discriminatório”, critica Manuel Guerreiro, presidente do CESP.



Os trabalhadores da Jerónimo Martins que estiveram a laborar no 1.º de Maio ganharam, também, uma folga adicional e serão remunerados a 500 por cento. Numa comunicação interna citada pelo Público, o administrador-delegado da empresa, Pedro Soares do Santos, aplaudiu o trabalho feito pelos mais de 15 mil colaboradores que estiveram de serviço nesse dia. E em reconhecimento pelo “extraordinário trabalho desenvolvido em condições de grande pressão” decidiu remunerar a 500 por cento o feriado. Ação que soa a retaliação para com os trabalhadores grevistas e o sindicato que marcou greve para nesse dia os trabalhadores poderem gozar o feriado do Dia do Trabalhador.



De acordo com o CESP, os funcionários que estiveram de folga durante o feriado receberam instruções para não fazer compras e, assim, não perturbar a iniciativa da Jerónimo Martins.

"Intervenção da ACT neste caso é imperativa"

O Bloco de Esquerda questionou (ler pergunta) o Ministério da Economia e do Emprego pois considera "imperativa" a intervenção da ACT para que se verifique se esta discriminação não é ilegal. Trata-se, defende a deputada Mariana Aiveca, "de uma clara punição pela prática de um direito constitucionalmente defendido: a greve".

Para o Bloco, numa atitude "expressamente discriminatória" dos trabalhadores que usaram o seu direito à greve, "a Jerónimo Martins prova, mais uma vez, a sua falta de respeito pelos trabalhadores da empresa".


Ler mais em Destaque: Pingo Doce - ataque ao trabalho - fuga ao fisco.

 

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