O conteúdo da informação divulgada oficialmente pelos chefes de Estado e de Governo dos países da União Europeia respira optimismo emitido na direcção dos mercados financeiros e promete mais sacrifícios sociais para os países que enfrentam maiores dificuldades com as dívidas soberanas apesar de este problema, segundo o presidente do Conselho, Von Rompuy, “ser interdependente”.
O optimismo relaciona-se com Portugal, devido ao “forte compromisso” do governo em corresponder às ordens da troika; com a Irlanda, onde apesar dos dados recentes inquietantes o Conselho “saudou” os “progressos” registados; e mesmo com a Grécia, onde o compromisso encontrado para um novo resgate poderá proporcionar entradas de dinheiro já em Julho se o novo programa de reformas imposto pela troika “for adoptado com urgência” em “unidade nacional”. Por estes caminhos, estes países poderão então “regressar aos mercados financeiros”, prevê o Conselho.
Ainda em relação ao caso grego, essa urgência deve aplicar-se principalmente aos mecanismos que o Conselho, em sintonia com a troika Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu, impõe como indispensáveis: nova legislação fiscal e o mega-plano de privatizações susceptível de proporcionar encaixes de 50 mil milhões de dólares. Os chefes de Estado e de Governo da UE tiveram palavras de conforto para os cidadãos gregos declarando-se “conscientes” dos “esforços” que têm vindo a fazer e para os “sacrifícios que vão ser imprescindíveis”.
O Conselho felicitou o primeiro ministro grego Georges Papandreu pelos “consideráveis progressos” registados na Grécia durante o último ano, principalmente em consolidação fiscal, ano durante o qual a aplicação do programa de reformas da troika fez subir a dívida soberana de 115 por cento do PIB para 143 por cento.
O compromisso sobre o financiamento do novo resgate a Atenas foi estabelecido em torno da plataforma encontrada a meio da semana entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy: os fundos adicionais serão financiados através de instituições públicas e privadas, neste caso a título “voluntário” e “informal”.
As informações divulgadas publicamente pelo presidente do Conselho, Von Rompuy, caracterizaram-se pelo mesmo optimismo e também por uma severa mensagem ao Parlamento Europeu para que conclua rapidamente as negociações com os governos sobre os pacotes de governação económica, uma vez que “o óptimo não pode ser inimigo do bom”.
Sobre o Pacto para o Euro, contestado nas ruas em toda a Europa, Von Rompuy afirmou que os governos “vão na direcção correcta” em todas as frentes: competitividade acrescida, dinamização do emprego, reforço da estabilidade financeira, melhoria do estado das finanças públicas, especialmente no sector da segurança social.
Este é o balanço feito do chamado Primeiro Semestre Europeu do novo quadro de coordenação económica, acrescentando o presidente do Conselho que o próximo tem que ser “mais ambicioso e mais concreto” – o que implicará restrições sociais acrescidas no espaço dos 27.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu