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Sesimbra: Duas centenas de pessoas manifestam-se contra aterro ilegal

População vê com preocupação os materiais que se encontram em combustão no aterro do Zambujal, que tem ordem de encerramento desde junho do ano passado por causa de sucessivas violações da licença.
Protesto em Sesimbra contra aterro ilegal
Protesto em Sesimbra contra aterro ilegal - Foto de Câmara Municipal de Sesimbra | Facebook

Perto de duzentas pessoas manifestaram-se, no dia 29 de novembro, em Sesimbra, pelo encerramento do aterro ilegal situado em Zambujal de Cima. Em declarações à Lusa, a presidente da Junta de Freguesia do Castelo, Maria Manuel Gomes, que também esteve no protesto junto com o presidente da autarquia, sublinhou que “não vamos ficar por aqui, vamos protestar junto ao Ministério do Ambiente”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, a solução passa por “uma mudança da legislação” com objetivo de proibir as empresas de explorarem os aterros e deixarem de poluir. “A história diz-nos que, normalmente, as empresas que exploram os aterros acabam por sair, abrem insolvência, e o problema continua anos a fio, sem que a tutela do Ambiente faça alguma coisa”, declarou à Lusa.

“Há duas hipóteses: ou de facto a nossa legislação muda (..), e há a obrigatoriedade de os acionistas poderem ser responsabilizados, ou então (a recuperação dos aterros nestas circunstâncias) cai sempre em cima do erário público”, afirmou Francisco Jesus.

A Comissão de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, após sucessivas violações da licença por parte da empresa, determinou o encerramento do aterro e selagem no dia 3 de junho de 2019.

População denuncia que continua a deposição de materiais no aterro

A deposição de materiais no aterro continua, segundo a população de Sesimbra, e garantem terem provas disso.

Os manifestantes também levantaram a preocupação relativamente ao desconhecimento dos materiais que se estão a depositar no aterro e queixam-se do mau cheiro que se sente na zona do Zambujal.

“Há dias em que não se consegue respirar neste lugar. Se tivermos alguma coisa ilegal em nossas casas, as autoridades vão lá e fazem buscas. Mas aqui no aterro continuam a permitir que se depositem substâncias que nem sequer sabemos de que tipo são”, afirmou Gilberta, uma moradora do Zambujal, à Lusa.

Argentina Marques, que também reside na zona, refere que “nunca vimos pedra e areia a arder”, devido ao facto de o aterro ter sido licenciado para produtos inertes, nunca podendo entrar em combustão, ao contrário do que se vê desde 2019.

A iniciativa contou com a presença de 200 pessoas, que participaram numa caravana com mais de 80 carros, seguindo de Sesimbra para o aterro do Zambujal.

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