No início da sua intervenção, Marisa Matias começou por frisar que “a austeridade não é um significado vazio”. “Ela tem tradução na vida concreta das pessoas concretas. Nos últimos anos, a austeridade em Portugal traduziu-se em mais quinhentos mil desempregados. Traduziu-se em um milhão de pessoas que vive muito perto da pobreza, senão mesmo em condição de pobreza. Aliás, se não fosse o Estado Social, 45% da população portuguesa estaria em situação de pobreza. A austeridade traduziu-se numa dívida que não está controlada, nem pouco mais ou menos”, avançou a cabeça de lista do Bloco às eleições europeias.
Segundo Marisa Matias, “o Governo e todos aqueles e aquelas que na Europa entendem que devem obedecer mais à senhora Merkel e aos mercados financeiros do que àqueles que são os interesses legítimos da população” servem-se da dívida como “uma forma de chantagem, de garrote, de medo para obrigar a fazer mudanças” que jamais teriam coragem de fazer de outra forma.
“Este caminho que estamos a traçar é verdadeiramente o único que nos retira qualquer possibilidade de futuro”
“Mas nós não temos medo”, afirmou a dirigente bloquista, sublinhando que “este caminho que estamos a traçar é verdadeiramente o único que nos retira qualquer possibilidade de futuro”.
“Já ouvimos muitas vezes dizer que o Estado é gordo e ineficiente e que vivemos acima das nossas possibilidades. Ouvimos dizer isso mesmo que os números que temos disponíveis contrariem todos os dias o discurso da direita. Mesmo que Portugal seja o país da União Europeia onde se trabalha mais horas por ano, ou que as despesas com a Educação, com a Saúde, e até mesmo com os salários da Função Pública, estejam bastante abaixo da média europeia, é isso que se repete”, avançou Marisa Matias.
"Nós estamos simplesmente a ser usados para transferir o dinheiro diretamente de quem trabalhou a vida inteira, e diretamente do Estado Social, para o capital financeiro"
“Nós não vivemos acima das nossas possibilidades, nós não estamos a pagar com os nossos sacrifícios uma crise que provocámos, nós estamos simplesmente a ser usados para transferir o dinheiro diretamente de quem trabalhou a vida inteira, e diretamente do Estado Social, para o capital financeiro e assim repor, o mais depressa possível, os lucros do sistema financeiro, porque são esses interesses que serve este Governo e que servem as instituições europeias”, acrescentou a candidata do Bloco.
É por isso, segundo frisou Marisa Matias, que o Bloco coloca a austeridade e o Tratado Orçamental - que representa mais 20 ou 30 anos de austeridade - no centro do seu debate e que quer reestruturar a dívida, porque essa “é a única forma que temos para criar emprego e promover o crescimento”.
“Entre os mercados e as pessoas escolhemos as pessoas. Entre o país e os mercados escolhemos o país”, enfatizou, referindo que “esta política que estão a conduzir não traz crescimento, destrói emprego e coloca-nos numa situação em que ficamos reféns da senhora Merkel, dos seus interesses e de um projeto que não só está a destruir os países da periferia europeia, como é o caso de Portugal, mas o próprio projeto europeu”.
“Só alguém absurdo como é absurdo o nosso primeiro ministro é que poderia dizer que nós só podemos sair desta situação empobrecendo"
Para a cabeça de lista do Bloco, “só alguém absurdo como é absurdo o nosso primeiro ministro é que poderia dizer que nós só podemos sair desta situação empobrecendo, como se fosse possível imaginar que um país mais pobre está em melhores condições de pagar a sua dívida".
“Nós escolhemos a dignidade, o respeito, a democracia e o futuro e isso implica, necessariamente, desobedecer às instituições europeias, à Europa da austeridade. A senhora Merkel precisa mesmo de ter quem lhe desobedeça porque ela não representa nem o interesse da Alemanha quanto mais o interesse da União Europeia”, afirmou Marisa Matias.
A dirigente bloquista fez ainda referência ao facto de o projeto do Bloco que propunha uma proteção no desemprego “à irlandesa” ter sido chumbado esta quinta feira no Parlamento, fazendo notar a “abstenção violenta do PS”.
“A juntar à sanha do Governo de direita, que persegue os mais fracos, os mais pobres, que vai buscar os recursos àqueles que menos têm, que não provocaram a crise, temos também o Partido Socialista que resolve juntar-se, e não tomar posição”, lamentou Marisa Matias.
“Esta austeridade não serviu senão para nos empobrecer”
A candidata do Bloco ao Parlamento Europeu Helena Figueiredo referiu que “é o interior que mais sofre a austeridade”, exemplificando com o encerramento dos serviços públicos e do desinvestimento na rede de transportes.
Para Helena Figueiredo, são os cortes impostos pelo Governo PSD/CDS-PP e pela troika que “impedem o desenvolvimento para quem aqui vive” e que condenam os jovens à emigração.
“O modelo que vendem não traz esperança para o país, nem para os jovens nem para os mais velhos”
“O modelo que vendem não traz esperança para o país, nem para os jovens nem para os mais velhos”, frisou, adiantando que “esta austeridade não serviu senão para nos empobrecer”.
Alertando para o facto de, mediante a sujeição ao Tratado Orçamental, estarmos a “condenar o pais a décadas de empobrecimento e austeridade, mais grave do que a que já conhecemos” e a abrir caminho à destruição do Estado Social, a candidata do Bloco enfatizou que é por isso que é tão importante que as pessoas saiam para a rua e vão votar para escolher os seus representantes.
“Eu sou europeísta, sou a favor de uma Europa unida, mas o meu projeto não é o da Merkel, não é o do Norte contra o Sul, nem o dos offshores, nem o das Lampedusas”, avançou Helena Figueiredo.
“O Bloco não tem medo e vai continuar na luta contra o poder autoritário, discricionário e prepotente”
Já o representante do Bloco de Ponte de Sor, António Ricardo, denunciou os abusos do poder local e deixou claro que o Bloco “está aqui para fazer ruturas neste poder podre, na cultura do medo”. “O Bloco não tem medo e vai continuar na luta contra o poder autoritário, discricionário e prepotente”, garantiu.
“Todos de Pé por uma Europa verdadeiramente humanista”
O mandatário local da candidatura, Jaime Abreu, afirmou que o Bloco não é submisso e nem servil, tendo herdado “a determinação, a lealdade, a dignidade, a camaradagem, a fraternidade, a honra, o carácter e a personalidade de estar permanentemente em luta por todos os direitos humanos”. “Somos diferentes!”, avançou.
Jaime Abreu frisou ainda a importância de votarmos no dia 25 de maio para que “a Europa deixe de estar encurralada”.
“Todos de Pé por uma Europa verdadeiramente humanista”, rematou.