“A produção está parada – paralisou agora com a greve da equipa das 8h da manhã - o forno está parado e a chamada ‘via húmida’, uma parte significativa da empresa que tem a ver com a carga e descarga de navios, também está paralisada”, disse Fátima Messias, da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICOM).
De acordo com a sindicalista, que falava aos jornalistas à entrada da cimenteira do Outão, num universo de 200 trabalhadores há cerca de uma centena que estão parados, o que significa uma adesão à greve muito superior à que estará a acontecer nas outras fábricas de cimento da Secil, de Maceira e Pataias.
A paralisação de três dias dos trabalhadores da Secil surgiu como resposta à decisão da empresa de congelar os salários, situação que consideram incompreensível face ao aumento de lucros do grupo Semapa em 2010.
Os sindicatos exigem aumentos salariais de 4,5 por cento, mas dizem ter flexibilidade para negociar, ao mesmo tempo que criticam a posição da Secil, atendendo aos resultados da empresa e do grupo Semapa em 2010.
“A empresa não tem argumentação válida. Ainda por cima, na semana passada, o grupo Semapa, no qual a Secil está incluída, anunciou aumentos de lucros de cerca 60 por cento. Como é que se pode anunciar aumentos de lucros de 60 por cento e propor zero por cento de aumento para os trabalhadores”, questiona Fátima Messias.
Uma ideia corroborada por alguns trabalhadores que aderiram à paralisação, que se mostram inconformados com o congelamento de salários. “Numa empresa que está de boa saúde, que tem mais de 100 milhões de euros de lucros e outro tanto em investimentos, é uma empresa que se recomenda e está bem viva. É impensável não ter aumentos”, corroborou José Pedro, trabalhador da manutenção e conservação mecânica da fábrica do Outão.