A adesão ao buzinão organizado pelas comissões de utentes da A28, A29, A41 e A42 contra a introdução de portagens nestas auto-estradas sem custo para o utilizador (Scut), nesta terça-feira, teve uma adesão acima das expectativas.
Frases como “Reaja a tempo, trave este disparate”, “Contra as portagens nas SCUT: buzine e proteste”, “Naturalmente... NÃO às portagens na A28” apareciam nos diversos cartazes, panfletos, tarjas e até t-shirts que os manifestantes envergaram.
Para o porta-voz das comissões de utentes, José Rui Ferreira, o balanço do protesto é muito positivo: “Esta adesão revela que a proximidade da data da introdução de portagens nas Scut do Norte levou a que as pessoas entendessem que chegou a altura de não poderem mais cruzar os braços”.
José Rui Ferreira disse que um dos objectivos de realizar o buzinão na antevéspera da discussão da questão das Scut na Assembleia da República foi “apelar aos senhores deputados para que introduzam bom senso nesta questão e suspendam este processo”, considerando que se isso acontecer “é uma vitória do movimento”.
Governo quer negociar com PSD
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, disse que o governo quer conversar com o PSD para encontrar uma “plataforma de entendimento” relativamente ao modo de calendarizar o pagamento. O PSD defende portagens em todo o país, e quer a introdução, ainda este ano, de pagamento nas sete SCUT que existem de Norte a Sul.
"Estamos abertos para que possa ser faseada a implementação, porque sabemos que há regiões do país em que hoje é mais fácil. O que para nós é fundamental é que, no novo diploma que o Governo vai apresentar para que possa atingir esse objectivo, esteja já um cronograma e o faseamento das medidas", disse Miguel Relvas, secretário-geral do PSD.
Bloco diz que medida é "injusta"
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, disse que a introdução de portagens nas Scut do Norte é uma medida injusta, e contesta também que o meio de pagamento seja exclusivamente electrónico.
"A nossa posição vai ser evidentemente a de contribuir para a não aplicação do diploma governamental que prevê os 'chips' nas matrículas", disse.
O Bloco exigiu uma definição do PSD, porque, disse Pureza, há líderes do partido que se juntam à indignação das populações e outros, da direcção, que estão disponíveis para negociar com o governo para acabar com as SCUT.