As últimas sondagens e os derradeiros acontecimentos políticos mostram-no como um dirigente isolado, apenas acompanhado por um partido dividido.
As sondagens de sexta-feira dão, sem exceção, a vitória ao candidato socialista François Hollande, apoiado desta feita pela esquerda em bloco e pelos Verdes. As vantagens de Hollande variam entre cinco e sete pontos, revelando uma tendência relativamente estável desde a realização da primeira volta. A menor vantagem atribuída ao candidato socialista é de 52,5%-47,5% e a maior é de 53,5%-46,5%.
Embora o intervalo menor corresponda à menor diferença entre os dois candidatos registada durante a campanha na perspetiva da segunda volta, ela está acima de todas as margens de erro. Em caso algum Sarkozy esteve em vantagem.
O isolamento político de Sarkozy consolidou-se com a declaração de voto em Hollande feita pelo candidato centrista François Bayrou, antigo dirigente do partido de Sarkozy (UMP) mas que rompeu entretanto com o presidente exercício. Os mais de nove por cento obtidos por Bayrou na primeira volta são considerados quase tão decisivos como os 18% da neofascista Le Pen, por se situarem numa área de charneira ideológica.
Depois da declaração de Bayrou, as sondagens revelam que o seu eleitorado se divide praticamente em três partes iguais – 32% para Hollande, 34% para Sarkozy e 34% para a abstenção, situação que deixa o presidente muito aquém do que necessitava nesta franja do eleitorado.
O mais importante facto político registado antes da declaração de Bayrou fora a afirmação da senhora Le Pen de que votaria em branco, o que perturbou a previsível convergência de toda a direita em Sarkozy. A 48 horas das eleições, apenas metade do eleitorado Le Pen está disposto a votar no presidente; 18%, que equivalem a quase 1,1 milhões de votos, poderão inclinar-se para Hollande e 34 por cento seguem a decisão de Le Pen.
Este cenário desfaz muitas das dúvidas registadas logo a seguir à primeira volta, nas quais a convergência da esquerda poderia não ser suficiente para bater Sarkozy, ficando dependente sobretudo do eleitorado centrista. A divisão da direita reforçou as possibilidades de Hollande.
O derradeiro debate entre os dois candidatos, que muitos analistas qualificaram como empatado e outros como favorável a Hollande, não permitiu, de qualquer modo, a recuperação de Sarkozy. Além disso, segundo comentadores da imprensa francesa, o presidente em exercício lidou muito mal com as provas segundo as quais o antigo presidente líbio, Muammar Khaddafi, financiou a sua primeira campanha. A forma como o presidente atacou os meios que apresentaram as provas e a falta de credibilidade dos desmentidos reforçaram a posição de isolamento do presidente à beira das urnas.
Publicado no site do grupo parlamentar europeu do Bloco de Esquerda