A coligação KPÖ+, que inclui o Partido Comunista Austríaco (KPÖ, membro do Partido da Esquerda Europeia) e a Jovem Esquerda (Junge Linke, organização de juventude que juntou também uma ex-membros da juventude dos Verdes austríacos), alcançou este domingo 11,66% dos votos no estado de Salzburgo, onde os comunistas não elegiam deputados desde 1949. A presença do partido nos parlamentos estaduais estava limitada à Estíria, conquistando em 2021 uma vitória histórica com a liderança da autarquia de Graz, a capital do estado. E para estas eleições em Salzburgo, as sondagens indicavam um bom resultado, mas sem certeza de passar a barreira dos 5% para voltar a ter presença parlamentar.
A eleição voltou a ser ganha pelos conservadores do Partido Popular Austríaco (ÖVP, membro do Partido Popular Europeu) com 30,37% dos votos, seguidos pela extrema-direita do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) com 25,75%. Em relação à eleição de 2018, os conservadores sofreram uma queda de 7,4 pontos percentuais e a extrema-direita subiu 6,9 pontos.
Os social-democratas do SPÖ baixaram a votação em 2,16 pontos e passaram para a terceira posição com 17,87%. O quarto lugar pertence ao KPÖ+, que em 2018 apenas tinha concorrido a dois círculos na cidade e subúrbios de Salzburgo, obtendo pouco mais de mil votos, alcançando agora mais de 31 mil. A cair 1.11 pontos estão os Verdes, com 8,20% e na sexta posição ficaram os liberais do NEOS (membro da Aliança dos Liberais e Democratas da Europa) com 4,30%, perdendo quase metade dos eleitores de 2018 e os seus três deputados estaduais, ao ficar abaixo da fasquia de 5% para entrar no Chiemseehof.
A projeção de mandatos com 99% dos votos contados é de doze para o ÖVP (-3), dez para a FPÖ (+3), sete para o SPÖ (-1), quatro para o KPÖ (+4) e 3 para os Verdes (=). Esta eleição contou com uma participação elevada em tornou dos 70%, quase cinco pontos acima da anterior.
Campanha pelo direito à habitação atraiu eleitorado vítima da crise
A crise da habitação e o aumento do custo de vida tornaram-se temas fortes nesta campanha eleitoral, com as autoridades regionais a calcularem que as despesas com a habitação têm um peso de 44% em média no orçamento familiar, quando na última eleição era de 36% e em 2015 de 29%. O estado de Salzburgo é um dos estados austríacos onde o custo de vida é mais caro, mas os salários estão abaixo da média praticada no país.
O principal candidato do KPÖ, Kay-Michael Dankl, é autarca na cidade de Salzburgo e tem feito campanha pela reativação da Lei de Aquisição de Terras que vigorou até há 30 anos, dando aos municípios o direito de preferência sobre terrenos por urbanizar.
Durante a campanha eleitoral, Dankl propôs que a cidade de Salzburgo seguisse o exemplo de Innsbruck e declarasse o estado de emergência habitacional. Na cidade há atualmente mais de 1.500 pessoas sem alternativa habitacional, 411 das quais em em situação de sem-abrigo, enquanto cinco mil estão em lista de espera para obter casa.
A popularidade do mandato de Kay-Michael Dankl na cidade de Salzburgo refletiu-se no resultado das urnas, com o KPÖ+ a passar de 1,20% para 21,80% em quatro anos e assim tornar-se o segundo maior partido na cidade, a seguir aos conservadores do ÖVP que obtiveram 24,40%. Tal como fez na autarquia e como fazem os deputados do KPÖ da Estíria e autarcas de Graz, tanto Dankl como os restantes candidatos prometeram doar parte substancial dos seus salários de deputados para causas sociais e pessoas necessitadas.
Na primeira declaração após os resultados serem conhecidos, Dankl afirmou que "hoje é o início, não é o fim do caminho. Nos próximos anos temos de provar que podemos fazer a diferença para as pessoas".