Salários em atraso: Provedor pressiona Governo

12 de agosto 2012 - 12:14

O Provedor de Justiça decidiu pressionar o Governo a que acelere o Fundo de Garantia Salarial, que está a demorar oito meses a analisar os casos de trabalhadores com salários em atraso. A praga dos salários em atraso continua, entretanto, a aumentar: Depois dos trabalhadores da Cerâmica de Valadares terem protestado contra a situação que vivem, foi a vez dos trabalhadores de um infantário em Matosinhos fazerem uma vigília.

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Trabalhadores do Infantário da Cruz de Pau, em Matosinhos, concentrados em defesa do pagamento das remunerações em atraso

O Fundo de Garantia Salarial assegura o pagamento de salários em atraso de trabalhadores de empresas falidas. Porém, está a demorar oito meses só para analisar cada caso. Como os dramas de salários em atraso se multiplicam, a Provedoria da Justiça está a ser inundada de queixas e, segundo noticia o jornal “Expresso deste sábado, esta grave situação levou o provedor Alfredo José de Sousa a pedir ao Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social que resolva urgentemente o problema, levando o Fundo de Garantia Salarial a atuar com maior celeridade.

Entretanto, a praga dos salários em atraso continua a aumentar, com o agravamento da crise económica e a falência de empresas.

Durante a semana que passou, os cerca de 200 trabalhadores da Cerâmica de Valadares que estão em lay-off protestaram pela falta de pagamento dos salários de maio e julho e do subsídio de férias e concentraram-se junto à empresa.

Nesta sexta feira foi a vez das trabalhadoras do Infantário da Cruz de Pau, em Matosinhos, promoverem uma vigília frente às instalações do infantário. As trabalhadoras têm atraso o salário de julho, parte do de Abril e os subsídios de Natal e de férias, exigem que as contas da instituição sejam investigadas e já realizaram outras ações de protesto: no dia 30 de julho, fizeram uma concentração e, no dia 1 de agosto, foram coletivamente ao Centro Regional de Segurança Social (CRSS) do Porto, tendo um dirigente sindical e a coordenadora pedagógica do infantário sido recebidos por um representante do CRSS.

Em declarações à Lusa, Eduardo Valdrez, do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSSS) disse: “Vamos exigir à Segurança Social para que intervenha na instituição e faça uma investigação às contas”.

O dirigente sindical acusa a direção do infantário de “má gestão” e de “desviar” para outras finalidades os 16 mil euros enviados por cheque pela Segurança Social no início do mês.

Eduardo Valdrez disse à Lusa que “a direção do infantário tem mantido uma atitude de completo alheamento”, defende a necessidade de “discutir com a Segurança Social” e encontrar uma “solução” para que a instituição (com dívidas a diversas entidades) possa reabrir em setembro, após o habitual período de encerramento para férias em agosto.