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Ryanair: verão de greves à vista

Além de Portugal, a Ryanair vai ter greves durante o verão em Inglaterra, Espanha e Irlanda. Cresce o descontentamento dos trabalhadores com as práticas abusivas da empresa, a quem acusam de anunciar despedimentos como estratégia de intimidação.
Foto: Victor/Flickr.
Foto: Victor/Flickr.

A insatisfação dos trabalhadores da Ryanair está a alastrar pela Europa, com novas greves em Inglaterra, Espanha e Irlanda a juntar-se à greve do pessoal de bordo em Portugal, marcada para 21 a 25 de agosto, noticia o Jornal de Notícias.

O pessoal de bordo da Ryanair em Portugal já havia anunciado greve no final de julho, em protesto contra a empresa por esta não ter cumprido o protocolo que havia estabelecido com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), em que se comprometia a adotar e cumprir até fevereiro de 2019 a legislação laboral portuguesa. Esse protocolo daria aos trabalhadores da companhia em Portugal o direito a subsídios de férias e natal, a integração no quadro de efetivos de todos os tripulantes com mais de dois anos de serviço através de empresas de trabalho temporário, a atribuição dos 22 dias de férias mínimos, e o cumprimento integral da lei portuguesa de parentalidade.

No início de agosto, logo após o anúncio de greve em Portugal, a Ryanair anunciou despedimentos substanciais de pessoal para os próximos meses: até 1500 pilotos e tripulantes, quase 10% dos mais de 14 mil que trabalham para a companhia. Pretende também encerrar várias bases na Europa, entre elas a base de Faro em Portugal. A Ryanair justifica estas medidas com uma queda de lucros, devida entre outros à suspensão de voos com o modelo Boeing 737 Max e a incerteza em torno do Brexit.

Mas um número crescente de sindicatos vê apenas uma manobra para ameaçar e desmoralizar os trabalhadores, que nos últimos ano têm vindo a organizar-se para enfrentar as práticas laborais abusivas de longa data na empresa. Luciana Passo, presidente do SNPVAC, declarou ao JN: "É no mínimo curioso que a companhia tenha escolhido esta altura para anunciar o encerramento da base de Faro. É uma nítida tentativa de chantagem aos tripulantes de cabina devido à greve". Já hoje, a SIC Notícias noticiou que a Ryanair está a enviar aos tripulantes portugueses um questionário online para saber se vão aderir à greve, pedindo resposta até segunda-feira. O SNPVAC denunciou a manobra como bullying e ilegal, aconselhando o pessoal a não responder.

A greve em Portugal mantém-se, e entretanto o descontentamento alastrou-se a outros países. Os pilotos ingleses anunciaram que vão parar nos dias 21 e 22 de agosto, os irlandeses em data a anunciar em setembro. Também em setembro vai parar o pessoal de bordo em Espanha, onde a empresa pretende encerrar as bases de Las Palmas, Tenerife Sul e possivelmente Girona.

No final da semana passada, a Associação Europeia de Cockpit (ECA), que representa cerca de 40 mil pilotos, criticou em comunicado a empresa pelo "segundo Verão consecutivo de agitação social", que na sua opinião se deve à "incapacidade da Ryanair em realizar um verdadeiro diálogo social com os seus funcionários", preferindo em vez disso uma estratégia "de confronto" assente em despedimentos e fechos de bases. Portugal, Itália e Bélgica são os únicos países da UE onde os há acordos coletivos de trabalho para os pilotos, lamentou a ECA.

Em cada vez mais países na Europa, trabalhadores e sindicatos têm vindo a batalhar para que a Ryanair estabeleça contratos de acordo com a lei laboral do país onde o pessoal está sediado, em vez da lei irlandesa notoriamente favorável à empresa, e que integre nos seus quadros pessoal que trabalha através de empresas de trabalho temporário. No fundo, as mesmas reivindicações da greve em Portugal.

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